quarta-feira, 2 de agosto de 2006

Programa Brasileiro de Desanalfabetização: Fique Culto em 15 minutos

RESUMO DE LIVROS... ÓTIMO PARA QUEM TEM PREGUIÇA DE LER.
1) Leon Tolstoi: Guerra e Paz . Paris, Ed. Chartreuse. 1200 páginas.
Resumo: Um rapaz não quer ir à guerra por estar apaixonado e por isso Napoleão invade Moscou. A mocinha casa-se com outro.
Fim.
2) Marcel Proust: À La recherche du temps perdu. (Em Busca do Tempo Perdido). Paris, Gallimard. 1922. 1600 páginas.
Resumo: Um rapaz asmático sofre de insônia porque a mãe não lhe dá um beijinho de boa-noite. No dia seguinte (pág. 486. vol. I), come um bolo e escreve um livro. Nessa noite (pág. 1344, vol.VI) tem um ataque de asma porque a namorada (ou namorado) recusa-se a lhe dar uns beijinhos. Tudo termina num baile (vol.VII) onde estão todos muito velhinhos - e pronto.
Fim.
3) Luís de Camões: Os Lusíadas. Editora Lusitania.
Resumo: Um poeta com insônia decide encher o saco do rei e contar-lhe uma história de marinheiros que, depois de alguns problemas (logo resolvidos por uma deusa super-gente-fina), ganham a maior boa vida numa ilha cheia de mulheres gostosas.
Fim.
4) Gustave Flaubert: Madame Bovary . 778 páginas.
Resumo: Uma dona de casa mete o chifre no marido e transa com o padeiro, o leiteiro, o carteiro, o homem do boteco, o dono da mercearia e um vizinho cheio da grana. Depois entra em depressão, envenena-se e morre.
Fim.
5) William Shakespeare: Romeo and Juliet . Londres, Oxford Press.
Resumo: Dois adolescentes doidinhos se apaixonam, mas as famílias proíbem o namoro, as duas turmas saem na porrada, uma briga danada, muita gente se machuca. Então um padre tem uma idéia idiota e os dois morrem depois de beber veneno, pensando que era sonífero.
Fim.
6) William Shakespeare: Hamlet . Londres, Oxford Press.
Resumo: Um príncipe com insônia passeia pelas muralhas do castelo, quando o fantasma do pai lhe diz que foi morto pelo tio que dorme com a mãe, cujo homem de confiança é o pai da namorada, que entretanto se suicida para saber que o príncipe matou o seu pai para se vingar do tio que tinha matado o pai do seu namorado e dormia com a mãe.O príncipe mata o tio que dorme com a mãe, depois de falar com uma caveira e morre assassinado pelo irmão da namorada, a mesma que era doida e que tinha se suicidado.
Fim.
7) Sófocles: "Édipo-Rei" - tragédia grega. Várias edições.
Resumo: Maluco tira uma onda, não ouve o que um ceguinho lhe diz e acaba matando o pai, comendo a mãe e furando os olhos. Por conta disso, séculos depois, surge a psicanálise que, enquanto mostra que você vai pelo mesmo caminho, lhe arranca os olhos da cara em cada consulta.
Fim.
8) William Shakespeare: Othelo.
Resumo: Um rei otário, tremendo zé-ruela, tem um amigo muito fdp que só pensa em fazê-lo de bobo. O tal "amigo" não ganha um cargo no governo e resolve se vingar do rei, convencendo-o de que a rainha está dando pra outro. O zé-mané acredita e mata a rainha. Depois descobre que não era corno,mas apenas muito burro por ter acreditado no traíra. Prende o cara e fica chorando sozinho.
Fim.

Você economizou a leitura de pelo menos 7.000 páginas e R$ 500,00 em livros!!!

PIULP - Programa de Incentivo ao Uso da Lingua Portuguesa

Eis aqui um programa de cinco anos para resolver o problema da falta de autoconfiança do brasileiro na sua capacidade gramatical e ortográfica. Em vez de melhorar o ensino, vamos facilitar as coisas, afinal, o português é difícil demais mesmo. Para não assustar os poucos que sabem escrever, nem deixar mais confusos os que ainda tentam acertar, faremos tudo de forma gradual.

No primeiro ano, o "Ç" vai substituir o "S" e o "C" sibilantes, e o "Z" o "S" suave. Peçoas que açeçam a internet com freqüênçia vão adorar, prinçipalmente os adoleçentes. O "C" duro e o "QU" em que o "U" não é pronunçiado çerão trokados pelo "K", já ke o çom é ekivalente. Iço deve akabar kom a konfuzão, e os teklados de komputador terão uma tekla a menos, olha çó ke koiza prátika e ekonômika.

Haverá um aumento do entuziasmo por parte do públiko no çegundo ano, kuando o problemátiko "H" mudo e todos os acentos, inkluzive o til, seraum eliminados. O "CH" çera çimplifikado para "X" e o "LH" pra "LI" ke da no mesmo e e mais façil. Iço fara kom ke palavras como "onra" fikem 20% mais kurtas e akabara kom o problema de çaber komo çe eskreve xuxu, xa e xatiçe.

Da mesma forma, o "G" ço çera uzado kuando o çom for komo em "gordo", e çem o "U" porke naum çera preçizo, ja ke kuando o çom for igual ao de "G" em "tigela", uza-çe o "J" pra façilitar ainda mais a vida da jente.

No terçeiro ano, a açeitaçaum publika da nova ortografia devera atinjir o estajio em ke mudanças mais komplikadas serão poçiveis. O governo vai enkorajar a remoçaum de letras dobradas que alem de desneçeçarias çempre foraum um problema terivel para as peçoas, que akabam fikando kom teror de soletrar. Alem diço, todos konkordaum ke os çinais de pontuaçaum komo virgulas dois pontos aspas e traveçaum tambem çaum difíçeis de uzar e preçizam kair e olia falando çerio já vaum tarde.

No kuarto ano todas as peçoas já çeraum reçeptivas a koizas komo a eliminaçaum do plural nos adjetivo e nos substantivo e a unificaçaum do U nas palavra toda ke termina kom L como fuziu xakau ou kriminau ja ke afinau a jente fala tudo iguau e açim fika mais faciu. Os karioka talvez naum gostem de akabar com os plurau porke eles gosta de falar xxx nos finau das palavra mas vaum akabar entendendo. Os paulista vaum adorar. Os goiano vaum kerer aproveitar pra akabar com o D nos jerundio mas ai tambem ja e eskuliambaçaum.

No kinto ano akaba a ipokrizia de çe kolokar R no finau dakelas palavra no infinitivo ja ke ningem fala mesmo e tambem U ou I no meio das palavra ke ningem pronunçia komo por exemplo roba toca e enjenhero e de uzar O ou E em palavra ke todo mundo pronunçia como U ou I, i ai im vez di çi iskreve pur ezemplu kem ker falar kom ele vamu iskreve kem ke fala kum eli ki e muito milio çertu ? os çinau di interogaçaum i di isklamaçaum kontinuam pra jente çabe kuandu algem ta fazendu uma pergunta ou ta isclamandu ou gritandu kom a jenti e o pontu pra jenti sabe kuandu a fraze akabo.

Naum vai te mais problema ningem vai te mais eça barera pra çua açençaum çoçiau e çegurança pçikolojika todu mundu vai iskreve sempri çertu i çi intende muitu melio i di forma mais façiu e finaumenti todu mundu no Braziu vai çabe iskreve direitu ate us jornalista us publiçitario us blogeru us adivogado us iskrito i ate us pulitiko i u prezidenti.

Olia ço ki maravilia!

sábado, 24 de junho de 2006

SOBRE RELIGIÃO E FUTEBOL

Uma revista aos conceitos básicos da matéria

A religião se encontra nos lugares menos óbvios e onde menos se espera, seja nos jogos de futebol, no crescente comércio de unhas postiças das meninas, no controle remoto das televisões, nas tatuagens, nos ossos que ficam como reminiscências do corpo, nos avanços bioinformáticos, na literatura de William Gaddis, nas pinturas de Mark Tansey, na obra de arte de Michael Barney, Vito Acconti e Michael Heiser, nos epitáfios dos túmulos de filósofos e nas conexões da internet. A noção de Deus passou da religião para a estética e agora se concentra no mercado financeiro e das grandes corporações.

Hegel e Kierkegaard são dois filósofos muito influentes, cujo trabalho delineou caminhos alternativos de estar-no-mundo. Embora ambos insistissem que suas idéias eram um complemento necessário aos princípios inicialmente articulados por Lutero, as suas perspectivas filosóficas e teológicas são bastante diferentes. Hegel desenvolve um sistema abrangente, no qual tudo está interconectado e inter-relacionado, enquanto Kierkegaard vai radicalizar a noção de indivíduo isolado, cujas raízes podem chegar até o nominalismo medieval.
Depois deles, a história da filosofia e da teologia nos séculos XIX e XX pode ser descrita como um pêndulo oscilando entre essas duas posições. Mas a importância do trabalho de Hegel e Kierkegaard não está limitada apenas à filosofia e à teologia, mas se estende para outros domínios culturais e formas diferentes de organização sociopolítica.

A religião é, sob muitos aspectos, o tema mais complicado para a universidade trabalhar. Muitos dos problemas nasceram da incapacidade de se distinguir adequadamente a prática e o estudo da religião. Esse impasse é criado pela compreensão limitada da religião por parte daqueles que a defendem e também dos que a criticam. Muitos acadêmicos continuam comprometidos com as teorias de secularização formuladas na década de 60. Sob o ponto de vista dessas teorias, modernização e secularização são inseparáveis: as sociedades se modernizam e tornam-se mais seculares através de um processo que é ao mesmo tempo inevitável e inseparável.
Obviamente, as coisas não aconteceram exatamente assim.
A religião nunca foi tão poderosa ou tão perigosa quanto hoje. É absolutamente essencial que o ressurgimento recente da religião não seja encarado como uma volta às formas pré-modernas de crença e prática. Ao contrário, o surgimento de formas mais conservadoras da religião é um fenômeno global caracteristicamente pós-moderno.

A religião não vai desaparecer e, provavelmente, vai se tornar ainda mais poderosa nas próximas décadas. Portanto, a criação de análises mais sofisticadas e capazes de compreender melhor as nuances do que está acontecendo é de vital importância. E o ponto de partida dessa investigação deve ser o reconhecimento de que a própria secularização é um fenômeno religioso produto do judaísmo e do cristianismo.

A religião não é só o que acontece nas igrejas, nos templos e mesquitas. Há uma dimensão religiosa em toda cultura. A arte, a literatura e a arquitetura modernas, por exemplo, nunca teriam se desenvolvido da mesma forma sem a profunda influência das várias tradições religiosas e espirituais.

A noção de indivíduo presente nos fundamentos da maior parte das teorias políticas e econômicas modernas foi definida pela primeira vez no protestantismo. Adam Smith desenvolveu sua análise dos mercados, que até hoje continua balizando as políticas econômicas, pela apropriação do conceito da mão invisível de Calvino. É importante expandir nosso conhecimento sobre a religião de forma a nos permitir determinar exatamente a sua influência na chamada cultura secular.

O estudo crítico da religião nunca foi tão importante quanto é hoje, e nunca foi tão difícil. Por um lado, o politicamente correto metamorfoseou-se em “religiosamente correto”. Alguns religiosos atacaram os acadêmicos -às vezes até ameaçando com violência-, acusando-os de não respeitarem suas crenças. Em casos extremos, os críticos do estudo secular da religião insistem que só os religiosos comprometidos com determinado credo estão qualificados para ensinar a sua tradição religiosa.

Por outro lado, os críticos também dizem que a religião é epifenomenal e deve, portanto, ser reduzida a sistemas e processos mais básicos, como as infra-estruturas psicológica, sociológica e econômica. O que realmente precisamos hoje é de uma abordagem do estudo da religião que seja multidisciplinar e comparativa. É necessário utilizar a luz de cada uma das diferentes perspectivas metodológicas nas tradições religiosas que dialogam entre si.
Os trabalhos mais interessantes para o estudo da religião estão sendo feitos fora dessa área de conhecimento. Eu identificaria três áreas: arte, literatura e ciências biológicas. É preciso enfatizar, no entanto, que nenhum desses pensadores necessariamente consideram seu trabalho como religioso ou até mesmo relevante para a religião.

No campo das artes, artistas que fazem intervenções paisagísticas, como Michael Heizer e James Turrel, estão desenvolvendo projetos altamente ambiciosos e importantes. Outros artistas com trabalhos importantes são Richard Serra, Ann Hamilton, Matthew Barney, Joseph Beuys e Anselm Kiefer. Na literatura, dois autores merecem bastante atenção: William Gaddis e Mark Danielewski. Finalmente, nas ciências biológicas, eu citaria trajetórias ao invés de indivíduos.
Acredito que nas próximas décadas a bioinformática será tão importante quanto os computadores e as redes têm sido no passado recente. À medida que as pesquisas avançam na biologia digital e vida artificial e se alcançam novas tecnologias, a fronteira entre homem e máquina será cada vez mais obscura. Esses avanços têm implicações enormes para as tradições religiosas.

Acredito que a existência é algo relacional -ser é estar conectado. Para entender uma coisa é necessário deslindar a teia de relacionamentos dentro da qual emerge o objeto de estudo. Por exemplo, não é possível compreender o neoliberalismo do capitalismo global sem entender, por exemplo, a doutrina da providência de Calvino e, por outro lado, os jogos de representação de papéis on-line para múltiplos jogadores (MMORPGs).

A centelha criativa aparecesse quando aproximamos dois fenômenos aparentemente não relacionados entre si. A maneira pela qual o conhecimento se estrutura não é imutável, mas reflete os modos de produção e reprodução existentes na sociedade. À medida que passamos do capitalismo industrial para o capitalismo de consumo e finalmente ao capitalismo financeiro, a estrutura da realidade foi sendo modificada. O problema é que as universidades não se transformaram junto com o mundo.

O modelo das universidades atuais foi formulado pela primeira vez por Kant, num artigo presciente publicado em 1789. Kant usou como modelo a universidade de produção em massa. Tente imaginar currículos e universidade estruturados como se fossem uma rede, ao invés de uma assembléia linear e você terá uma idéia das mudanças de que a universidade necessita hoje.

Em maneiras diversas, as guerras religiosas do século 21 são extensões das guerras culturais dos anos 60. Para muita gente, que vai de George Bush ao papa Bento 16, os anos 60 nos introduziram em um caminho de relativismo que somente poderá ser corrigido pelo returno aos absolutos.

quinta-feira, 22 de junho de 2006

Mona Lisa Desmascarada

O polêmico assunto retornou ao debate, há algumas semanas, em virtude da notícia de mais um bebê encontrado vivo em lata de lixo. A líder feminista subiu nas tamancas e brandiu o dedo em defesa dos direitos da mulher sobre o próprio corpo (como se sabe, esse é um eufemismo para sustentar o direito de matar e remover do útero o corpo de um outro ser humano, o indefeso feto ali albergado).

Apontei a contradição: “A senhora incorre num paradoxo. Não lhe parece estranho lamentar um bebê jogado vivo no lixo da calçada e, simultaneamente, pleitear que esse mesmo bebê, semanas ou dias antes, possa ser morto e lançado na lixeira de um hospital?” A única resposta que obtive foi “não é bem assim”, seguida por sorriso de impenetrável significado.

Toda defesa do aborto se faz com artifícios retóricos que só servem para tentar justificar o injustificável e que não resistem a uma análise racional. Aliás, Schopenhauer, em seu ensaio sobre como vencer um debate sem ter razão aponta, entre os estratagemas que podem conduzir a esse resultado, o desvio de foco. Ficou sem argumento? Mude de assunto. Foi o que a médica tratou de fazer. Apanhada em contradição, saiu-se com esta: “A Igreja Católica é a grande responsável por não termos ainda legalizado o aborto no Brasil. No entanto, esse não é um assunto religioso. Ademais, existe no Brasil a separação entre Igreja e Estado. O senhor sabia disso?”.

Sim, eu sabia. E também sabia que o argumento continha outra das espertezas catalogadas por Schopenhauer. Ela consiste em retirar conclusões falsas de premissas que todos sabem ser verdadeiras. Como as pessoas concordarão com as premissas, ficarão inclinadas a concordar com a conclusão. A frase da médica era um exemplo disso. De fato, a Igreja é contra o aborto. De fato, existe a separação entre Igreja e Estado. Mas não se pode deduzir como conseqüência dessas duas afirmações que o aborto deva ser legalizado.

Foi fácil desmascarar a artimanha. “Segundo esse seu raciocínio, doutora, a tortura deveria ser legalizada no Brasil, porque a Igreja também é contra a tortura. Aliás, a lista de crimes aos quais a Igreja se opõe é mais extensa do que o Código Penal. Talvez conviesse rasgá-lo”. E extraí outro sorriso daqueles, tipo Mona Lisa desmascarada.

Continuo à espera de que me apresentem um único argumento favorável ao aborto que escape ao denominador comum da retórica desonesta. Aqueles que os afirmam contam com a ingenuidade dos que os ouvem.


por Percival Puggina em 19 de junho de 2006

sexta-feira, 26 de maio de 2006

O Código




"Eu ofendi a Humanidade e a Deus porque eu não consegui fazer tudo que eu tinha que fazer. Eu não consegui colocar em prática todo o meu potencial. O meu trabalho não atingiu a qualidade que deveria ter atingido."
Leonardo da Vinci




Querida(o) Amiga(o),
"Eu sou o chefe. A sala de reunião está lotada de "colaboradores" que se reportam para mim. Eu dou ideias, alguns questionam, alguns participam, alguns tomam nota, alguns balançam a cabeça em sinal de aprovação, alguns abrem a boca. Depois de 30 minutos, todos acabam concordando com as idéias que eu dei.
Em outras situações, eu conto algumas piadas que nem mesmo eu acho muito graça, mas ainda assim as pessoas sorriem e acham bacana. Como saber se as pessoas que estão a minha volta estão sempre dizendo a Verdade?". Essa é uma das três perguntas mais frequentes que eu recebo todos os dias no meu e-mail (as outras duas perguntas são um código que você vai ter que decifrar).
Eu sempre respondo a essa pergunta com uma outra pergunta, mas primeiro, o cenário: "Uma sala de reunião com 20 gerentes impecavelmente engomadinhos aguardam a chegada do seu mais novo chefe e gerente geral (Você) as 9:00 hs da manhã de uma segunda-feira ensolarada. Depois de vencer um desgastante processo de seleção conduzido por uma equipe de caçadores-de-cabeças bem rankeados na praça, você está prestes a dar um novo passo na sua promissora e meteórica carreira corporativa. Você vai assumir a posição de Gerente Geral de uma Unidade de Negócios que tem 800 "colaboradores" que se reportam para essa turma de 20 grease-men que esperam por você na sala há exatos 30 minutos. O elevador chega ao andar das salas de reunião, você desce, se encaminha para a sala que tem o nome do fundador da corporação "John Whatever Smith" gravado com letras douradas no topo da porta dupla de madeira de lei. A porta se abre sozinha (dali em diante, nessa nova posição, curiosamente, as portas vão abrir sozinhas, mesmo não havendo qualquer tecnologia wireless para abri-las, apenas um cidadão "wired" por perto). Você entra. Todos se levantam e olham para você."
Agora sim: a pergunta: "O que você diz para essas pessoas? Como você se apresenta para profissionais graduados, bem informados que serão seus funcionários diretos mas que você nunca viu na Vida?
Qual é o seu discurso de abertura?
Qual é o código que você vai QUEBRAR?
Qual é o código que você vai MANTER?
Qual é o código que você vai INVENTAR?
Qual é o código que você vai ESCONDER?"
PAUSA. CRANEIE. (momento de craniamento) FAST FORWARD!
Uma vez que você tenha sido escolhido para o cargo, imagina-se que você tenha experiência e habilidade para lidar com pessoas. Imagina-se que você leia muita coisa sobre o assunto, imagina-se que você devora livros, assiste palestras, e tem o sonho de se tornar doutor na matéria. Se você foi escolhido para a posição, você deve estar matando a pau, certo? Se você realmente estuda o assunto, eu acredito que durante algum de seus mergulhos na matéria, você deva ter dado de cara com vários textos sobre comportamento humano. Os papas da matéria humana dizem que para liderar as pessoas você precisa conhecer cada indivíduo profundamente, suas motivações, sonhos, aspirações etc, para assim conseguir afinar a sua comunicação com os interesses do povo.
Se você acredita nisso, e coleciona teorias sobre comportamento humano, neurolinguistico etcetera e tal, lá vai mais uma teoria. 10% da população mundial tem o perfil do Líder. Do cara que quer ser o primeiro do ranking, o primeiro do bairro, o primeiro da escola, o primeiro a ter coisas, o primeiro a ser coisas, o primeiro a dominar coisas. 9% da população mundial tem o perfil do Isolado. Do cara que anda sozinho, não pertence a nenhum grupo - a não ser ao grupo que não pertence a nenhum grupo -, resiste a qualquer liderança. 24% da população mundial tem o perfil do Analista.
Do cara cético, desconfiado, que não acredita em nada e toma decisão baseado em fatos concretos. 57% da população mundial tem o perfil do Seguidor. Do cara que sonha em ser sócio do clube da cidade, usa marcas famosas, não admite que é seguidor de coisa alguma - embora só compre os livros mais vendidos, assista aos filmes mais vistos, e vá aos restaurantes que todos frequentam. Ainda assim, não se considera seguidor de nada. Considerando essa teoria, devemos dizer que: 10% da população da sala que você acaba de entrar é líder, 9% é isolado, 24% é analista, 57% é seguidor, correto?
Tendo em vista uma audiência tão diversificada... Como você se apresenta?
PAUSA. CRANEIE. FAST FORWARD!
A partir de hoje eu vou trabalhar duro todos os dias para merecer a confiança de vocês. O dia de hoje é muito especial para mim. 20 anos atrás eu disse a mim mesmo: Eu quero fazer a diferença. Eu quero dirigir uma grande empresa para fazer História. Eu cheguei onde eu queria. Mesa de mármore imponente, cadeiras de couro fino, sala confortável, ar-condicionado com controle remoto automático, mega-corporação, executivos experientes, empresa tradicional. Como parte da minha preparação para estar aqui hoje, nos últimos sete dias eu mergulhei de cabeça nos números da nossa empresa. Como todos vocês devem saber, os resultados não são os melhores. Somos lucrativos há meses, apesar dos números de vendas estarem estagnados no mesmo patamar há anos; 78% dos "colaboradores" estão muito satisfeitos com o trabalho que possuem, apesar de não haver muitas novas idéias por aqui; nós recebemos 7 prêmios de Melhor Parceiro do Mercado entregues por fornecedores, apesar de não termos criado novos produtos ou casos de sucesso. Legal! Parabéns!
Mas tudo isso é muito pouco. Eu quero que essa empresa MUDE.
Eu quero ver a MUDANÇA AGORA!
Eu quero que cada indivíduo dessa empresa seja o MELHOR DO MUNDO.
Eu quero que todos saibam o quanto eu quero que cada um REALMENTE MELHORE como cidadão e profissional.
Eu vou ser direto com vocês hoje e sempre: Um bom número de profissionais entre vocês não estará nessa empresa daqui há um ano. Eu não estou fazendo uma ameça a ninguém. Eu apenas quero que fique bem claro qual é a minha mensagem: A empresa precisa abraçar mudanças. Cada um de vocês precisa abraçar mudanças.
A empresa precisa MELHORAR DRAMATICAMENTE tudo o que faz. A empresa precisa ENFRENTAR O NOVO ao invés de sobreviver. Se não está CLARO para alguém o que tem que ser feito, FALE AGORA. Esse é o meu Código. "Se vamos ser diretos", alguém pergunta no fundo da sala, "O que nós vamos fazer para evitar que algumas pessoas se machuquem ao longo do caminho?"
Nós vamos ensiná-las a ser EMPREENDEDORAS! Eu falo muito, eu tenho opinião formada sobre tudo, eu sei o que eu quero, eu sei como fazer, eu sei que vou chegar lá. Ao longo da minha vida eu cometi grandes erros, mas sempre procuro aprender algo a respeito. Não me interessa se o seu perfil é de líder, de seguidor, de analista ou de isolado.
A partir de hoje nessa empresa, o meu papel é provocar o desejo em você de ser O MELHOR DO MUNDO. S
e esse perfil estiver muito adormecido dentro de você, você não estará aqui no ano que vem.
FAST FORWARD! NADA MENOS QUE ISSO INTERESSA!!!!