sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Máquinas de camisinhas nas escolas

Eu digo NÃO!
Mais uma vez está comprovado que entregar ao Estado a responsabilidade das obrigações da família é um desastre total. A lição de casa deve ser feita em casa e pelos próprios pais, e não em outro lugar e nem por outros que não sejam os próprios responsáveis, as mazelas irão se espalhando, plantando inconsequências e confusão em todos os cantos.
Na ausência de quem o faça responsavelmente, sempre haverá quem tome o lugar e o faça da forma que lhe convier. Da mesma forma que, quando a família se omite perante diversas necessidades dos seus filhos, estes por sua vez procuram quem as satisfaça e muitas vezes caem nas garras dos traficantes de diversos produtos: entorpecentes, sexo, e da vida.
Também por esse vácuo familiar, assistimos o Estado assumir responsabilidades da família, quando esta se omitiu nos tempos devidos. Várias questões anteriores à esta - máquinas de camisinhas - deveriam ter sido responsavelmente discutidas nos momentos em que se apresentaram e não o foram. Ficaram perdidas nos discursos de "educadores" e curiosos (mais de "curiosos" do que educadores).
Assim, o Estado, autodenominando-se tutor da juventude, acha por bem pregar que: o sexo deve ser discutido da forma mais superficial possível, valorizando o prazer (pior ainda: o prazer individual e nunca do companheiro(a)) em detrimento de seus nobres objetivos, evitando polemizar a necessidade do casamento, a objetividade da reprodução, justificando-se, para tanto, em sua laicidade - um viés ao avesso; gravidez - que habituou-se acompanhá-la sempre do adjetivo "indesejada" - nunca é pregada como deveria ser: uma felicidade, porque resultou do amor profundo entre duas pessoas e do sexo responsável, e que agora devem sentir-se orgulhosos por terem sob suas responsabilidades uma nova vida que está a caminho. Mas não. Prega-se o avesso: casamento? Em desuso. Família? Muito "custoso". Educar os filhos? As escolas que se virem. Sexo? Quando quiser. Gravidez? Indesejável sempre... para evitar, use camisinha... se não conseguiu, estamos providenciando o aborto legal.
E assim caminhamos a passos largos em direção à completa destruição dos valores pessoais, do amor, da caridade, da família e, sobretudo, da proteção da vida como meta primordial de vida. A vida torna-se uma mercadoria, podendo ser escolhida quando e como deverá ser presente. Camisinhas à rolê nas escolas é um convite à promiscuidade, ao sexo banal, inconsequente e o risco da gravidez irresponsável.
As saídas que o Estado, em sua decadência moral, encontra para os problemas são as mais fáceis e menos custosas: o paternalismo míope das diversas bolsas descompromissadas com a qualificação pessoal e profissional, e as cotas nas universidades na contramão da melhora da qualidade do ensino são dois exemplos do mesmo viés das máquinas de camisinha. Não trarão nenhum benefício para a sociedade; ao contrário, pioram ainda mais a qualidade de vida, na medida que lhes rouba a essência de suas vidas: a defesa da própria vida!

Carta publicada na Folha de Londrina - edição de 13/09/2008 - página 03. (exceto o trecho em itálico, que foi cortado por "falta de espaço".

domingo, 17 de agosto de 2008

A respeito da reportagem MUNISÍTIOS

(Folha de Londrina, 17/08/2008 – Caderno Especial, página 01).

O tom poético da reportagem, intencional ou não, esconde atrás dos versos, das flores e da beleza puritana um execrável atraso tecnológico, um interesseiro viés imperialista e uma maldosa vontade de manter tudo como está. Por quê?

Oras, não é difícil perceber que a vida no campo, romanticamente descrita, direciona os leitores para o saudosismo rural, aquele dos “bons tempos”, da vida sem controles rígidos, da paz entre os vizinhos, do leiteiro batendo à sua porta e do queijo colonial envolvendo a goiabada caseira.

E não há nada de mal nisso, não fossem a inversão das prioridades levadas à disposição desses munícipes.

Frases de efeito são como o remédio que esconde a dor: “... um dos estados mais ricos do país”; “... braço forte do povo que faz a terra produzir”; e vai por aí afora. Eleva-se o moral para em seguida mostrar-lhe, ainda que ligeira e disfarçadamente, a verdade: “Mas a riqueza não beneficia a todos”.

Viver no campo, em pleno século XXI, como se vivia no século XIX ou no anterior, é notável atraso. Intencional ou não, é atraso. A modernidade trouxe benefícios incontestáveis em nome do bem estar, da saúde e do conforto para o homem. E essa modernidade deve ser disponibilizada igualmente para todas as cidades e não restringir-se aos pólos e grandes centros. É certo que males vieram a reboque, assim como o efeito colateral do remédio que cura: no mínimo o sabor amargo.

Mas o que é inadmissível é o tom conformista proposto pela reportagem, adoçado no tom poético que remete a vida no campo; lê-se claramente nas entrelinhas: sem as horas que o controle, sem a velocidade de suas necessidades, sem os atropelos da modernidade. Mas também se lê nos últimos parágrafos a verdade escrita ao avesso: o progresso conquistado à custa de suas riquezas trouxe para vocês, moradores e trabalhadores braçais dos pequenos municípios paranaenses, o maior cuidado dos governos federal e estadual que, na sua piedade satânica, proporcionaram urgentemente as melhoras que eles acharam que deveriam ser levados aos mais perdidos rincões do estado: o melhoramento genético para seus gados, incremento na diversificação da produção/produtividade; qualificação dos trabalhadores; etc. Tudo em prol da preocupação do Estado com sua população. E frisado, muito bem frisado no final da reportagem: “... devolvendo a dignidade a estas populações que, aos poucos, vão recuperando a auto-estima e a esperança em dias melhores.”.

Oras bolas... é só o que consigo dizer:

ORAS BOLAS!!!

Um Estado que se preocupa, antes de qualquer coisa, com a produção, a produtividade, a capacitação dos trabalhadores, melhoramento genético para o gado, etc, E NÃO PROPORCIONA SAÚDE, ESCOLAS, ESGOTOS E TRATAMENTO DE ÁGUA, TRANSPORTE, etc. Esses benefícios deveriam ser as prioridades, mas não o são. E o povo, bovinamente, assim o aceita. Exatamente porque há muitos a serviço desta mão invisível, dourando-lhe a pílula e distribuindo à população.

Um Estado que olha para seu povo, pede seu voto, mas não o retribui?

Um Estado que, em pleno século XXI, preocupa-se em manter seu povo na produção primária, predominantemente agropastoril, para sermos campeões na agro-pecuária, exportadores de matéria-prima?

Um Estado que, apesar de ser eleito “pelo povo e para o povo”, não o representa e não proporciona o progresso positivo para seu povo?

Um Estado que deveria olhar para seu povo com olhos de pai que ama seu filho: preocupando-se com seu desenvolvimento, com seu crescimento e aí sim, resgatando-lhe sua auto-estima e sua dignidade.

Um Estado que prefere melhorar o bem-estar dos gados, ao invés de seu povo.

Um Estado que quer manter seu povo no romantismo rural, pois assim não será risco para seu poder.

Mas também:

Um Estado iludido pela soberba e vendido ao poder econômico; um Estado que serve somente ao capital e a ganância desenfreada de seus tentáculos, pregando o moralismo rural para a população; o sonho dourado da vida tranqüila para poder surrupiar-nos o verdadeiro sonho: uma vida verdadeiramente digna, com os confortos da modernidade associado à vida tranqüila das pequenas cidades.

Porque?
Ganância, ganância, ganância. Poder, poder, poder. Custe o que custar.
E reportagens poéticas, como estas, não beneficiam; ao contrário, traem os anseios populares, adocicando-lhes com um placebo que nunca vai curar a doença; traem os sonhos humanamente dignos, trocando por uma “... esperança em dias melhores.”.

sábado, 9 de agosto de 2008

Sabedoria Médica

Uma mulher chega apavorada no consultório de seu ginecologista e diz:
- Doutor, o sr. terá de me ajudar num problema muito sério. Este meu bebê ainda não completou um ano e estou grávida novamente. Não quero filhos em tão curto espaço de tempo, mas num espaço grande entre um e outro...
E então o médico perguntou :
- Muito bem. E o que a senhora quer que eu faça?
A mulher respondeu :
- Desejo interromper esta gravidez e conto com a sua ajuda.
O médico então pensou um pouco e depois do seu silêncio disse para a mulher:
- Acho que tenho um método melhor para solucionar o problema. E é menos perigoso para a senhora.
A mulher sorriu, acreditando que o médico aceitaria seu pedido.E então ele completou :
- Veja bem, minha senhora, para não ter de ficar com os dois bebês de uma vez, em tão curto espaço de tempo, vamos matar este que está em seus braços. Assim, a senhora poderá descansar para ter o outro, terá um período de descanso até o outro nascer. Se vamos matar, não há diferença entre um e outro. Até porque sacrificar este que a senhora tem nos braços é mais fácil, pois a senhora não correrá nenhum risco...
A mulher apavorou-se e disse :
- Não doutor! Que horror! Matar um criança é um crime!
- Também acho minha senhora, mas me pareceu tão convencida disso, que por um momento pensei em ajudá-la.
O médico sorriu e, depois de algumas considerações, viu que a sua lição surtira efeito. Convenceu a mãe que não há menor diferença entre matar a criança que nasceu e matar uma ainda por nascer, mas já viva no seio materno.
O CRIME É EXATAMENTE O MESMO!!!!!

terça-feira, 13 de maio de 2008

Considerações atualíssimas sobre a Zona Azul

Ainda que muitos reclamem e poucos se manifestem à favor, gostaria de fazer algumas colocações mostrando alguns pontos ainda poucos perceptíveis pela maioria:
1) A Lei, sendo boa e bem formulada, quando aplicada eficazmente por aqueles que têm tal incumbência, beneficia toda população; só não vão beneficiar-se aqueles que querem “dar um jeitinho”, atitude típica de quem quer ter uma vantagenzinha sobre outro, para depois contar aos amigos, dando gargalhadas;
2) Se a CMTU e seus agentes se mantiverem firmes no propósito de fazer-se cumprir a velha Lei, notaremos dentro de alguns meses que ficará mais fácil estacionar no centro da cidade e nos locais aonde a Zona Azul é aplicada, beneficiando toda a população. Com o tempo, os “aproveitadores” desistirão e as vagas vão sobrar para aqueles que são honestos e prezam as Leis;
3) Não há outro meio de se garantir vagas para todos nos locais de maior movimento se não regulamentar um estacionamento rotativo, com agentes fiscalizadores e ser rígido na punição dos que insistirem em não respeitar;
4) Pode-se sim estudar uma fórmula diferencial a ser aplicada em regiões de clínicas e hospitais, pois é sabido que nestes locais, duas horas pode ser pouco tempo para estacionar. Aos médicos, clínicas, laboratórios e hospitais, cabem o dever de colaborarem com a sociedade, dando o exemplo ao cumprirem com os horários marcados para os atendimentos, respeitando o consumidor;
5) É normal, principalmente no Brasil, haver choros e reclamações nos primeiros dias da aplicação rígida de uma Lei, mesmo que seja uma velha Lei resgatada para ser cumprida. São esperadas manifestações como essas alegando ignorância, desconhecimento e falta de orientação; todas completamente infundadas e descabidas, pois a cidade encontra-se bem sinalizada nos locais onde a Zona Azul está presente. Essas reclamações acontecem porque a Lei nunca foi aplicada corretamente, além do fato de que todos querem se beneficiar do “jeitinho brasileiro”, daquela tolerância irritante que atrapalha o trânsito, piora o humor das pessoas e traz à tona sentimentos de ira, acompanhado das palavras sujas habituais;
6) Para a (in) felicidade geral da nação: felizmente nem todos são de ferro! Muito menos os agentes da CMTU e seus comandantes! Então, resta à população tolerar essa aplicação exagerada e hiper-rígida por alguns dias ou semanas, assim, dentro de algum tempo, não muito, voltaremos ao mesmo velho e mau hábito de estacionar como quiser e quando quiser, pois, no que diz respeito ao trânsito, não há cumprimento de Lei que perdure quando se deseja combater maus hábitos. Os movimentos pró-lei são somente nos instantes iniciais em que se decidiu colocá-la em prática. Basta passar algum tempo, sair da mídia, e tudo voltará como era antes.
Afinal, é muito cansativo ser correto e honesto, não é mesmo? Que pena!

sábado, 26 de abril de 2008

Éramos todos negros


A você que se orgulha da cor da própria pele (seja ela qual for), tenho um conselho: não seja ridículo


ATÉ ONTEM , éramos todos negros. Você dirá: se gorilas e chimpanzés, nossos parentes mais chegados, também o são, e se os primeiros hominídeos nasceram justamente na África negra há 5 milhões de anos, qual a novidade?A novidade é que não me refiro a antepassados remotos, do tempo das cavernas (em que medíamos um metro de altura), mas a populações européias e asiáticas com aparência física indistinguível da atual.


Trinta anos atrás, quando as técnicas de manipulação do DNA ainda não estavam disponíveis, Luca Cavalli-Sforza, um dos grandes geneticistas do século 20, conduziu um estudo clássico com centenas de grupos étnicos espalhados pelo mundo.Com base nas evidências genéticas encontradas e nos arquivos paleontológicos, Cavalli-Sforza concluiu que nossos avós decidiram emigrar da África para a Europa há meros 100 mil anos.Como os deslocamentos eram feitos com grande sacrifício, só conseguiram atingir as terras geladas localizadas no norte europeu cerca de 40 mil anos atrás.


A adaptação a um continente com invernos rigorosos teve seu preço. Como o faz desde os primórdios da vida na Terra sempre que as condições ambientais mudam, a foice impiedosa da seleção natural ceifou os mais frágeis. Quem eram eles?Filhos e netos de negros africanos, nômades, caçadores, pescadores e pastores que se alimentavam predominantemente de carne animal. Dessas fontes naturais absorviam a vitamina D, elemento essencial para construir ossos fortes, sistema imunológico eficiente e prevenir enfermidades que vão do raquitismo à osteoporose; do câncer, às infecções, ao diabetes e às complicações cardiovasculares.


Há 6.000 anos, quando a agricultura se disseminou pela Europa e fixou as famílias à terra, a dieta se tornou sobretudo vegetariana.De um lado, essa mudança radical tornou-as menos dependentes da imprevisibilidade da caça e da pesca; de outro, ficou mais problemático o acesso às fontes de vitamina D. Para suprir as necessidades de cálcio do esqueleto e garantir a integridade das demais funções da vitamina D, a seleção natural conferiu vantagem evolutiva aos que desenvolveram um mecanismo alternativo para obter esse micronutriente: a síntese na pele mediada pela absorção das radiações ultravioletas da luz do sol. A dificuldade da pele negra de absorver raios ultravioletas e a necessidade de cobrir o corpo para enfrentar o frio deram origem às forças seletivas que privilegiaram a sobrevivência das crianças com menor concentração de melanina na pele.


As previsões de Cavalli-Sforza foram confirmadas por estudos científicos recentes. Na Universidade Stanford, Noah Rosemberg e Jonathan Pritchard realizaram exames de DNA em 52 grupos de habitantes da Ásia, África, Europa e Américas.Conseguiram dividi-los em cinco grupos étnicos cujos ancestrais estiveram isolados por desertos extensos, oceanos ou montanhas intransponíveis: os africanos da região abaixo do Saara, os asiáticos do leste, os europeus e asiáticos que vivem a oeste do Himalaia, os habitantes de Nova Guiné e Melanésia e os indígenas das Américas. Quando os autores tentaram atribuir identidade genética aos habitantes do sul da Índia, entretanto, verificaram que suas características eram comuns a europeus e a asiáticos, achado compatível com a influência desses povos na região.Concluíram, então, que só é possível identificar indivíduos com grandes semelhanças genéticas quando descendem de populações isoladas por barreiras geográficas que impediram a miscigenação.


No ano passado, foi identificado um gene, SLC24A5, provavelmente responsável pelo aparecimento da pele branca européia. Num estudo publicado na revista "Science", o grupo de Keith Cheng seqüenciou esse gene em europeus, asiáticos, africanos e indígenas do continente americano.Tomando por base o número e a periodicidade das mutações ocorridas, os cálculos iniciais sugeriram que as variantes responsáveis pelo clareamento da pele estabeleceram-se nas populações européias há apenas 18 mil anos.
No entanto, como as margens de erro nessas estimativas são apreciáveis, os pesquisadores tomaram a iniciativa de seqüenciar outros genes, localizados em áreas vizinhas do genoma. Esse refinamento técnico permitiu concluir que a pele branca surgiu na Europa, num período que vai de 6.000 a 12 mil anos atrás.

A você, leitor, que se orgulha da cor da própria pele (seja ela qual for), tenho apenas um conselho: não seja ridículo.

escrito por Drauzio Varella e assino embaixo