terça-feira, 17 de julho de 2007

A Igreja de Jesus

A polêmica que se cria sobre todos os enunciados do Vaticano ganhou mais munição semana passada. A falta de vontade de conhecer a verdadeira informação, aliada a vontade em criticar a Igreja Católica persiste. E os cristãos católicos que se preparem para os comentários desinformados que já se apresentam. Jesus não disse que seria fácil, ao contrário, Ele deixou bem claro que a luta do Cristão pela pregação da Sua Palavra será sempre um trabalho árduo, longo e conflituoso. Não podemos desistir: "A messe é grande, mas os operários são poucos" (Mateus 9,37).
O conflito, desta vez, recai sobre o documento que o Vaticano publicou, repetindo aquilo que sempre se soube: a Igreja de Jesus subsiste na Igreja Católica. Cristo constituiu sobre a terra uma única Igreja que existirá eternamente, permanecendo com todos os elementos por Ele instituídos. Esta Igreja subsiste na Igreja Católica, já que esta é a única que permanece ao longo da história fiel aos ensinamentos e aos Sacramentos instituídos por Ele. Embora a Igreja Católica permaneça fiel a Jesus através da sucessão apostólica iniciada com São Pedro, o Vaticano insiste que todos os cristãos podem e devem procurar uma unidade verdadeira em Seus ensinamentos. Ele mostra ainda que essa união é necessária e possível, já que, nas igrejas e comunidades eclesiais cristãs surgidas por cismas ou pós-reforma (mas que ainda mantém alguns sacramentos verdadeiramente cristãos), a Igreja de Cristo é presente através da Verdade e dos Elementos de Santificação que existem nelas. Essas comunidades, apesar de não estarem em comunhão com a Igreja Católica, são passíveis de qualidades salvíficas, ou seja, não são vazias de peso e de significado, no sentido que o Espírito de Cristo não se recusa a servir-se delas como instrumentos de salvação.
A afirmação “subsiste” é real, pois a doutrina que se transmite ao longo da história não se modifica minimamente. Essa expressão mostra a plena identidade da Igreja de Cristo com a Igreja Católica.
O Concílio Vaticano II insiste em afirmar também que existem numerosos elementos de santificação e de verdade fora da Igreja Católica, ou seja, nas Comunidades Eclesiais. Jesus deixou na Igreja Católica, através de seu Espírito Santo, os meios de salvação, mas as divisões entre os cristãos impedem que ela atue de forma plena sobre todos Seus filhos. Este documento promulgado pela Congregação para a Doutrina da Fé constitui uma clara chamada de atenção para a doutrina católica sobre a Igreja. E mostra o caminho certo para o diálogo ecumênico, dando-lhe prioridade Para saber mais, acesse http://www.vatican.va/ ou consulte: - Igreja Católica, fundada por Jesus: Mt 18,17; 28,19s; Jo 17,4. – una no governo e na doutrina: Jo 10,16; 17,20-23; At 4,32; I Cor 12,12s; 14,33; Ef 4,3-6; Col 1,18; 3,15. – católica (universal): Mt 24,14; 28,19; At 2,5-11; 10, 28-34s; I Tim 2,4. – apostólica: Mt 16,18s; 18,18; At 1,12-26; Ef 2,20ss; I Tim 4,14; Apoc 21,14. – São Pedro e seus sucessores (papas): Mt 16,16-19; Lc 22,31s; Jo 1,41s; 21,15ss.

Artigo publicado (com cortes) na Folha de Londrina - edição de 23/07/2007 - página 02

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Somos todos Evangelistas



Se todos os meus amigos decidissem pular da ponte, eu não os seguiria. Eu me posicionaria ao pé da ponte, para segurá-los quando caíssem.




Querida(o) Amiga(o),





Como estão as vendas? Como anda o mercado? O que você pensa sobre a complacência do governo? O que você vai fazer para recuperar a sua auto-estima? Como tem sido a reação dos clientes as mudanças efetuadas? O que eu preciso fazer para ajudá-lo a crescer? Quais são os velhos problemas? Quais são os planos para vencer as tradicionais dificuldades? Quais são os seus objetivos? Qual é a sua estratégia? Quais são as novidades? Quais são as boas novas?!


Todos os dias milhares de profissionais de negócios ligam para os seus clientes a procura das respostas para essas perguntas. Nós fazemos muitas perguntas ao invés de levar respostas. Nós procuramos as boas novas ao invés de levar as boas novas. Nós ouvimos muito e agimos pouco. Nós procuramos por pedaços de conhecimento quando é nossa total responsabilidade compartilhá-los. Nós procuramos por uma informação que já temos. Nós queremos progredir ao invés de revolucionar. Nós esperamos que as pessoas nos digam quais são os seus problemas e necessidades (como se não soubessemos o quê um ser humano precisa).


Não é muita arrogância da nossa parte?


Acreditar que apenas eu ou você tenhamos alguma necessidade ou sonho que outras pessoas não tenham? Eu acredito que todo mundo procura a mesma felicidade que eu procuro.


Eu acredito que todo mundo procura evitar os mesmos problemas que eu procuro evitar.


Eu acredito que todo mundo deseja aprender a mesma coisa sobre a vida que eu quero aprender.


Eu acredito que todo mundo já passou pela mesma solidão, dor, desespero e tristeza que eu já passei. Luxo (interior) para todos! Custe o que custar.


Eu quero uma lancha, um jatinho privado, uma ilha só minha.


Eu quero o mesmo para todos. Se preciso for, colonizar toda a galáxia, para ter uma vida digna para todos, que seja, vamos trabalhar, levar as boas novas.


Não tem porque esperar alguma coisa para levar as boas novas para as pessoas. Somos todos evangelistas, todos os dias em todos os contatos com todas as pessoas em todos os lugares. Nós somos responsáveis pela felicidade de todos que nos cercam. Nós somos responsáveis pelo nível de compaixão que as pessoas terão com outras pessoas. Compaixão de verdade! Não tapinha nas costas ou ombro amigo. Compaixão é muito mais do que isso. Compaixão significa ficar acima da dor dos outros. Permanecer positivo, construtivo e entusiasmado frente os terríveis problemas que o dia-a-dia apresenta para os nossos amigos. Quando o cliente se preparar para se atirar da ponte, você, sereno, deve estar de braços abertos, pronto para segurá-lo, pronto para apontar as boas novas. Nenhuma situação é terrível o bastante para impedir que o bem prevaleça. Você pode acrescentar alguma boa nova em qualquer situação de desespero.


Ninguém tem autorização para falar com alguém se não tiver uma boa nova para levar! Tariq, filho de Azim Khamisaf, tinha 20 anos de idade quando foi assassinado sem nenhum motivo por um garoto de 14 anos. Uma tragédia que poderia ter levado Azim a se entregar a lei do olho por olho dente por dente. Ao invés disso, Azim Khamisa criou uma fundação e convidou a família do assassino a se juntar a ele, "Eles são vítimas como eu". A partir da sua dor, ele criou uma fundação para educar as crianças sobre a não-violência. Azin e Felix - avô do jovem que cumpre pena de 25 anos de prisão pela morte de Tariq - trabalham juntos na administração da fundação e são grandes amigos. O programa vai até as escolas onde levanta fundos para investir em educação. Azim afirma que "Tragédias fazem parte das nossas vidas. Elas não vão desaparecer, não vão acabar.


Como você responde as tragédias é que importa.


" Emilia é fundadora e diretora da "Presentes da Vovó", uma fundação que já distribuiu mais de R$ 300 mil reais para crianças carentes. Emilia dedica todos os dias da sua vida na distribuição de comida, roupas, livros, brinquedos e experiências educacionais para crianças que moram em locais onde a pobreza prevalece. Fundada em 1992, "Presentes da Vovó" já colocou mais de 60 mil livros nas mãos de crianças. Emilia é uma jovem mulher de 24 anos. Quando fundou a organização, ela tinha apenas 10 anos.


Amber Coffman começou a ajudar os sem-teto com a sua mãe quando tinha oito anos de idade. Em 1993, aos onze anos, fundou "Felicidade para quem não tem nada" para distribuir comida e sorriso para aqueles que vivem nas ruas. Eles começaram fazendo 50 lanches, hoje são 1.200 por dia e já ajudaram mais de 45 mil pessoas. Hoje, aos 25, Amber resolveu dedicar a sua vida a levar as boas novas para aqueles que vivem nas ruas.


Jason, hoje com 20 anos, fundou The Cello Cries On quando tinha 11. A missão da organização é unir a juventude de todas as partes do planeta independente de diferenças raciais, étnicas, religiosas, sociais e culturais para trabalhar pelos direitos humanos, sociais, paz e harmonia cultural. Ele começou o projeto aos 9 anos de idade quando publicou uma newsletter para os jovens do seu bairro. Hoje, o jornal é distribuido em 39 estados americanos e 19 países onde inspira e motiva os jovens a incluir o "servir a humanidade" como parte integrante de suas vidas.


Chega! Basta de viver em um mundo cheio de "seguidores" e poucos "líderes", cheio de egoístas apressados em atingir suas próprias metas.


Você pode contribuir MAIS, fazer MAIS, criar MAIS, de diferentes maneiras, sem a necessidade de seguir qualquer tipo de padrão social ou de comportamento para realizar.


Somos todos evangelistas! Coloque em prática o quê está na sua mente, por mais Raul Seixas que pareça, salve uma vida que seja, mas salve, salve o seu cliente, os seus colegas de trabalho, a sua cidade, o seu bairro, a sua família. Ensine aos jovens, ensine aos seus filhos, aos seus sobrinhos, aos filhos dos seus amigos, ensine aos seus funcionários, e mesmo ao seu chefe, a mais nobre das virtudes humanas: o Altruísmo, a habilidade de interromper a nossa caminhada por alguns instantes para ajudar os outros. Segundo os psicólogos, altruísmo não se aprende em escola ou faculdade, altruísmo se forma dentro de casa, na convivência de famílias amorosas e unidas.


Pessoas que crescem em grandes dificuldades ou em ambientes pouco amorosos, perdem a habilidade natural do ser humano em sair da sua própria rota para ajudar outras pessoas, e acaba espancando mulheres inocentes em pontos de ônibus. Entretanto, segundo os revolucionários, somos todos evangelistas. Nós temos o poder de curar - através dos nossos atos - aqueles que não sabem o que é altruísmo. Não é tarde, não é cedo, todo contato que você fizer com alguém, leve as boas novas. Compartilhe com os outros o quê você quer para você.


Não tem como errar.

domingo, 8 de julho de 2007

A impaciente atitude de ser curioso.
Todos os dias alguém me diz que eu estou pregando no deserto. É verdade, eu sou um idiota sonhador que prega para os ventos. Eu sei que ninguém muda a estrutura de nada, ninguém muda o "status quo" das coisas, ninguém transforma o legado do mundo; as mudanças acontecem porque a pregação é tamanha que come o legado; avança sobre o "status quo" e engole a estrutura. Ninguém dá poder para ninguém, você simplesmente conquista! É exatamente isso que eu faço.


Querida(o) Amiga(o),


"E aí, quais são as novas?", "Nenhuma! As novas são as velhas. Inclusive, eu sugiro a você parar de falar sobre as novidades e começar a falar sobre as velharias. Quanto mais novidades você conhece, mais travado você fica. Você perde o seu tempo querendo estar a frente de tudo, mas no final do dia você está atrasado nas poucas coisas que você tem para fazer. O velho ainda é novo para você. Agenda, Processo, Sistema, Tecnologia, Chefe, Livros, Produtos, Dinheiro, por que usar um software de Customer Relationship Management se nem a agenda de papel você domina?


SENSO DE URGÊNCIA é sobre a impaciente atitude de ser curioso. "Eu não acredito que nós já chegamos no X da questão quando o assunto é Fanta", afirmou com convicção Mary Minnick atual Presidenta (Você pensa que não existe essa palavra? Existe! Elas merecem) Mundial de Marketing da Coca-Cola para os top marketeiros da empresa na última conferência em Istambul, "Eu acredito que nós ainda nem arranhamos a superfície do que possa ser o perfil do nosso Cliente. Nós precisamos redefinir a visão que temos para os produtos Fanta, deve haver algo além de "Fanta é Divertida". De volta ao trabalho!" Fanta é Divertida!!!??? É brincadeira? O cara ganha milhares de dólares, torra outros milhões, tem MBA e Experiência nas costas, e a profundidade máxima onde o cara consegue chegar é "Fanta é Divertida"??? QUE LIXO!!!! QUE LIXO!!! QUE LIXO!!! Que gente preguiçosa!!!


Não existe nada mais velho do que investigar a Vida e nada mais novo do que curtir a superficialidade dos fatos. Mas será que tamanha franqueza é demais para você? É muita grosseria da minha parte chamar o trabalho de alguém de "lixo"? Existe sempre alguma coisa boa em tudo? Existe sempre alguma coisa a aprender em qualquer palestra em qualquer livro em qualquer lugar? Existe sempre o Yin Yan em todas as coisas, inclusive na cocaína, no estupro, e no assassinato? Será que o melhor que eu tenho a fazer nesse caso é tirar do bolso alguma técnica de relacionamento interpessoal que possa me ajudar a me relacionar melhor com o cidadão ao invés de expressar a Verdade que eu conheço? Deveria eu analisar aqui o "balanço e a economia de carícias que o cidadão teve na adolescência" ao invés de falar sobre responsabilidade? Deveria eu analisar os "estados do Eu" inclusive os meus ao invés de exigir criatividade? Deveria eu analisar a "estruturação da personalidade do indivíduo" ao invés de confrontar as mais inconfortáveis questões? Deveria eu aprender sobre o "enquadramento do conjunto das teorias psicológicas que levam o cara a se auto-conhecer" ao invés de dizer que o dinheiro acabou? Não, eu não faço parte dessa escolinha que dita a lição nos 45 minutos iniciais e toma a tabuada nos 5 minutos finais.
Na minha escola a lição começa com as perguntas e termina com o confronto. "Como fazer Planejamento Estratégico em 7 lições" vira "Onde você quer levar a sua empresa no futuro próximo?"; "Como evitar que uma pessoa faça algo errado em 5 passos" vira "O que levou você a tomar uma decisão como essa?"; "Como conquistar novos mercados em 10 etapas" vira "Você tem algum plano para invadir o mercado XYZ que está pegando fogo nesse momento?"; "Os 7 hábitos eficazes do profissional inovador" vira "Qual foi a sua maior decepção profissional?"; "25 Mandamentos sobre como olhar o peixe e fritar o gato sem decepcionar a nenhum dos dois" vira "Qual é o mercado que temos que passar longe?" Qual é a habilidade, ferramenta, capacidade, competência, atitude, conhecimento, experiência, tecnologia (chame como quiser) que todo Profissional+Ser Humano que quer mudar o mundo através do seu Trabalho precisa dominar?


A impaciente atitude de ser curioso para NUNCA SE AFASTAR DE UM CONFLITO. Confrontar a autoridade de qualquer um, ser inconformado com qualquer situação, investigar todas as questões que chegam a você, fazer follow-up em feedback, encontrar tempo para conversar com aqueles que querem enfrentá-lo sobre algo controverso, essa é a agenda de quem tem Senso de Urgência. Soa grosso, soa rude, soa bravo, eu não me importo. Você precisa ouvir. Entre você e o colega ao seu lado existem dezenas de coisas para serem feitas que ninguém está fazendo. O plano estratégico da empresa está desatualizado. O plano de carreira minguou. O desenvolvimento de competências está incompetente. Ninguém imagina de verdade o quanto grande poderia ser o departamento de vendas onde você trabalha; somente você. Seja impacientemente curioso, pare de questionar os outros, questione os seus próprios paradigmas! Você precisa de apenas 45 minutos para colocar no papel a Descrição do seu Cargo. Você precisa de apenas 30 minutos para discutir com o seu chefe ou funcionário os dois tópicos mais importantes da agenda para os próximos três dias. Você precisa de apenas 10 minutos para virar o web site do seu Cliente pelo avesso e descobrir o próximo argumento de vendas relevante. Você precisa de apenas 15 minutos para se preparar para confrontar uma situação emocional adversa.


Duvida? Como você poderia saber se não tiver a impaciente atitude de ser curioso, certo?

sexta-feira, 22 de junho de 2007

A Evolução da Evolução



E Charles Darwin criou o homem. Ou, pelo menos, inventou o que hoje nós conhecemos como homem. Antes dele, éramos o centro do Universo, a obra sublime da criação. Agora somos apenas mais uma entre milhões e milhões de espécies, um bicho de origem nada especial.
Nada mesmo: a Teoria da Evolução deixou claro que todas as formas de vida que já pisaram na Terra são filhas da mesma tataravó - a história de como essa senhora, uma simples molécula, virou tudo o que existe hoje.
Assim, mostrando como a vida evolui, Darwin dispensou Deus do cargo de criador. E agora seus seguidores do século 21 querem fazer algo ainda mais chocante: mostrar que não passamos de escravos a serviço dos verdadeiros donos deste planeta.

Ah, tem mais: a teoria de Darwin pode ter desvendado o segredo dos buracos negros. E mostrado não só que deve haver vida fora da Terra mas em universos paralelos também. Quer saber como? Então vamos embarcar no velho Beagle. Primeira escala: o inferno.

O inferno de Darwin
O solo repleto de lava negra estava coberto de lagartos e tartarugas monstruosas. Caranguejos escarlates corriam por todos os lados. O calor era tão forte que atravessava as botas e queimava os pés. Cercado por uma vegetação composta de cactos de 3 metros de altura, girassóis do tamanho de árvores e arbustos desfolhados, Darwin escrevia em seu diário: "A superfície seca e crestada, aquecida pelo sol do meio-dia, deixava o ar abafado, quente como em um forno. Tínhamos a impressão de que até os arbustos cheiravam mal".
"Esse lugar é o inferno!", dizia Robert FitzRoy, capitão do navio de pesquisas Beagle, que levara o jovem Charles Darwin às Galápagos, um arquipélago no oceano Pacífico. FitzRoy queria um cavalheiro a bordo para lhe fazer companhia. E o abonado Darwin, de 22 anos, acabou escolhido, principalmente porque estava estudando para virar padre - mas também porque FitzRoy gostou do formato do nariz dele, que "sinalizava profundidade de caráter".
O capitão tinha dois objetivos para a viagem. Um a serviço do Império Britânico: mapear a costa da Patagônia. Outro, pessoal: encontrar provas científicas de que o mundo tinha sido criado de acordo com o que está na Bíblia. Mal sabia ele que o assassino de Deus estava a bordo.

A paisagem infernal das Galápagos, onde aportaram em 15 de setembro de 1835, após quase 4 anos de expedição, era um paraíso para Darwin. Ele pintou e bordou com tudo o que pôde naquele lugar perdido no tempo. Pegou carona nas tartarugas ("Era difícil manter o equilíbrio."), tirou onda com as iguanas ("Ela ficou olhando para mim como se quisesse dizer: Por que você puxou a minha cauda?") e encheu o bucho de iguarias exóticas ("Tatu é um prato excelente quando assado em sua carapaça."). De quebra tirou de lá a inspiração para a idéia mais importante e assustadora da história da ciência.

O gatilho para esse pensamento veio quando ele percebeu diferenças instigantes entre os bicos de uma espécie de passarinho das Galápagos, os tentilhões. Em uma ilha eles tinham bicos grossos, bons para quebrar nozes. Em outra, longos e finos, ideais para arranjar comida em frestas. Darwin imaginou que aquelas aves deviam ter se adaptado de algum jeito. Por mágica? Não: por um processo de seleção que levou gerações. Em ambas as ilhas teriam nascido pássaros de bico fino e de bico grosso. Naquela onde havia nozes para comer, só estes últimos teriam sobrevivido. A partir desse raciocínio simples, nascia um monstro.
De volta à Inglaterra, aos 27 anos, Darwin estudou a fundo as 5 436 carcaças, peles e ossos que colecionara na viagem do Beagle e concluiu que TODAS as espécies do mundo tinham passado por processos de adaptação equivalentes ao dos tentilhões. Bem devagarzinho.

Imagine as asas dos pássaros, por exemplo. Pela lógica de Darwin, elas não nasceram prontas. Em algum ninho dos ancestrais dos pássaros, que não voavam, surgiu um mutante, um "patinho feio", com uma pequena membrana que lhe permitia planar de vez em quando. Essa característica deu-lhe alguma vantagem na luta pela sobrevivência. E o bicho deixou mais descendentes que seus irmãos. A prole dele, que carregava a mesma mutação, também fez mais filhos, e por aí foi. Com o tempo, novos mutantes, novos patinhos feios, foram nascendo com asas cada vez melhores. E no fim das contas um novo tipo de animal se consolidava no planeta: os pássaros. Tudo às custas da extinção de outros bichos parecidos, só que menos adaptados à dureza da vida.

"A produção de animais superiores é conseqüência da natureza, da fome e da morte", escreveu Darwin. Nós mesmos, imaginou o inglês, não podíamos estar de fora. A diferença é que a evolução para a forma que temos hoje foi a partir de "macacos" (na verdade, animais parecidos com macacos) que foram desenvolvendo cérebros cada vez maiores, do mesmo jeito que os pássaros fizeram com as asas. E esses "macacos" vieram de outros bichos... Hoje sabemos de quem: de peixes mutantes que nasceram com a capacidade de respirar fora da água - nossos pulmões, por exemplo, vieram direto desses animais, que viviam em pântanos lamacentos. Aí não tinha mais jeito. Darwin já sabia que não éramos "a imagem e semelhança de Deus".

Agora responda: o que você faria ao perceber que na sua cabeça existe uma idéia que pode abalar as crenças mais profundas de quase toda a humanidade? Darwin sentiu o peso, e ficou aterrorizado. Demorou mais de 30 anos para publicar a idéia em seu livro A Origem das Espécies, de 1859. E ainda assim o livro só saiu quando ele leu um artigo de Alfred Russel Wallace, um biólogo inglês.
O texto continha uma teoria bem similar à da seleção natural, porém menos abrangente. Com medo de ser passado para trás, Darwin autorizou seu amigo Thomas Huxley a expor a Teoria da Evolução ao mundo científico, pois ele mesmo não teve coragem. "Foi como confessar um assassinato", escreveu. Por isso mesmo a teoria demorou para virar unanimidade entre os acadêmicos. Ela só foi aceita para valer quando outros cientistas, já no século 20, a refinaram com base na genética - a forma como os pais transmitem suas características aos filhos.

Esse renascimento deu um gás novo à Teoria da Evolução. E na década de 1930 começava uma nova revolução: o neodarwinismo. Com ele, uma idéia aterradora começou a sair do forno: a de que você não passa de um robô. Era a Teoria do Gene Egoísta, que ganhou corpo nos anos 70. E que afirma que, basicamente, somos sua máquina de sobrevivência dos genes

O sentido da vida
Genes mutantes e as pressões da seleção natural fizeram essa obra esplêndida que você vê no espelho todas as manhãs. Uma caminhada e tanto. Mas uma coisa não mudou através dos tempos: tudo o que os genes querem é fazer cópias de si mesmos. Foi para isso que eles criaram nosso corpo e nossa mente. E agora nos comandam lá de dentro, por controle remoto, para que trabalhemos em nome de sua preservação. A razão da existência? Lutar para que os genes façam cópias deles mesmos do melhor jeito possível. E, para os neodarwinistas, esse egoísmo dos genes é a chave para descobrir como a nossa mente funciona. O próprio Darwin tinha escrito, no final de A Origem das Espécies: "Agora a psicologia se assentará sobre um novo alicerce". Demorou, mas aconteceu. Uma nova ciência da mente ganhou terreno no final do século 20. Foi a psicologia evolucionista, que usa Darwin e a mecânica dos genes para entender o que se passa aí dentro da sua cabeça.

Premissa número 1 dessa ciência: a mente já nasce quase pronta. Ela não é uma folha em branco, em que qualquer coisa pode ser "escrita", como muitos filósofos e cientistas sociais defendem. Do ponto de vista da psicologia evolucionista, não faz sentido dizer que a cultura molda o nosso comportamento. Ela afirma que sua mente foi forjada ao longo de toda a evolução. E que você vem ao mundo com todos os "softwares" instalados no "hardware" da sua cabeça. Seus desejos, sua personalidade e tudo o mais dependem desses programas mentais. Nossa margem de manobra é pequena.

E tem outra: a mente humana ganhou os softwares que tem hoje nos últimos 200 000 anos, quando nossa espécie, o Homo sapiens, veio ao mundo. Passamos 97% desse tempo em bandos nômades, que viviam da caça e da coleta. Nossa mente, então, não passa de uma ferramenta da Idade da Pedra tentando se virar num mundo que não existe mais. Do ponto de vista dos nossos genes, ainda estamos no Paleolítico, uma época sem faculdade, carreira, dinheiro ou anticoncepcionais. Uma época em que só duas coisas realmente contavam.

Sexo e violência
Se ainda sobrou alguma coisa que você queria saber sobre sexo, mas não tinha coragem de perguntar, talvez a resposta dos evolucionistas sirva: ele é a forma que os genes arrumaram para melhorar as defesas da sua máquina de sobrevivência. Por exemplo: se você tem um sistema imunológico que não sabe se defender de algum vírus, e tudo o que você sabe fazer para se reproduzir são cópias de si mesmo, como as primeiras células da evolução, seus rebentos vão ter esse problema. E o clã inteiro vai morrer no caso de um ataque.

Agora, se você combina seus genes com o de um ser imune ao tal vírus, a história é outra: teoricamente, só uma parte do clã morreria. E o resto continuaria passando seus genes adiante como se nada tivesse acontecido. Ao criar esse tipo inovador de reprodução, a seleção natural tratou de dividir o trabalho entre dois tipos de funcionários especializados. Um teria a função de tentar pôr seus genes em qualquer máquina de sobrevivência que cruzasse seu caminho. O outro selecionaria entre esses primeiros quais têm os melhores genes para compartilhar e cuidaria da cria que os dois tivessem juntos. Em outras palavras, o mundo se dividia entre machos e fêmeas (em algumas espécies, os papéis se invertem: os filhotes ficam a cargo dos machos, então eles é que são os mais paquerados).

Enfim, ao ganhar o poder de decidir quais machos terão filhos e quais ficarão na prateleira, as fêmeas assumiram o controle da evolução na maioria das espécies. E, para a psicologia evolutiva, é isso que determina aquilo que mais importa na vida: a propagação dos nossos genes, coisa também conhecida como vida afetiva e sexual.

O sexo, hoje, tem pouca relação com o ato de fazer filhos. Você sabe. Nenhum adolescente pensa em engravidar 10 meninas quando vai viajar para o Carnaval. Mas os genes dele não fazem idéia de que existem camisinhas e tudo o mais, então deixam o rapaz com vontade de transar com 10 garotas e pronto. Se tudo der certo, esses genes poderão instalar-se no útero de um monte de meninas e construir um monte de bebês (várias máquinas de sobrevivência novinhas em folha!).

Do ponto de vista das fêmeas a história é outra: transar com 10 sujeitos num feriado não vai "render" 10 filhos para os genes dela se instalarem. Vai dar é uma baita dor de cabeça. Os contraceptivos poderiam deixá-las livres para fazer sexo só pelo prazer com um monte de seres do sexo oposto, como qualquer homem faz (ou tenta fazer). Mas não. O cérebro delas evoluiu para selecionar os melhores parceiros, ter poucos (e bons) filhos, não para tentar a sorte com qualquer um. Sem falar que, do tempo dos nossos ancestrais caçadores coletores até o século 20, sexo casual para elas era correr o risco de acabar com um bebê indesejado. Aí não tem ideologia liberal nem pílula que dê conta de superar esse "trauma" evolutivo.

Psicólogos da Universidade Stanford, nos EUA, checaram isso com uma experiência simples. Contrataram homens e mulheres atraentes para abordar estudantes e dizer: "Você gostaria de ir para a cama comigo hoje?" Nenhuma mulher aceitou. Já as garotas tiveram resultados melhores: 75% dos homens toparam no ato. Dos 25% restantes, a maioria pediu desculpas, explicando que tinha marcado de sair com a namorada.
Pois é: do ponto de vista da seleção natural, uma bela fêmea disponível é um bem valioso demais para ser desperdiçado. Nenhum homem se surpreende com isso (o pessoal da obra não está só brincando quando diz "ô, lá em casa!"), mas para as mulheres a verdade da psicologia evolucionista pode soar assustadora: "O desejo de variedade sexual nos homens é insaciável. Quanto maior for o número de mulheres com quem um homem tiver relações, mais filhos ele terá [pelo menos é o que "pensam" os genes]. Então demais nunca é o bastante", escreveu outro guru do neodarwinismo, o psicólogo Steven Pinker, da Universidade Harvard, nos EUA.
Esse apetite todo também ajuda a explicar as raízes de outro comportamento ancestral: a violência. Os despojos de guerra mais comuns nos conflitos tribais sempre foram as mulheres. Não é à toa que uma das lendas sobre a fundação de Roma, que aconteceu no século 8 a.C., celebra o dia em que os primeiros romanos atacaram uma tribo vizinha, a dos sabinos, e raptaram as mulheres deles para começar sua civilização. Não dá para não dizer que deu certo. E esse é o ponto: às vezes a violência é, sim, o melhor jeito de conseguir alguma coisa.
Então não há mistério para a psicologia evolucionista: como a violência funcionou ao longo da história, está impregnada nos nossos genes. "Os bebês só não matam uns aos outros porque não lhes damos acesso a facas e revólveres", disse o pediatra e psicólogo Richard Tremblay, da Universidade de Montreal, em uma entrevista à revista americana Science.
A grande questão, ele completa, não é como as crianças aprendem a agredir, mas como elas aprendem a não fazer isso. Intrigante, mas o psicólogo evolucionista Eduardo Ottoni, da USP, tem a resposta na ponta da língua: "A coisa mais complicada na vida de um primata é a capacidade de se virar em sociedades complexas. E se dar bem socialmente não é dar bifa em todo mundo". Então nada melhor que um pouco de altruísmo com alguns para ficar bonito na foto.
Os morcegos que o digam: entre as espécies que se alimentam de sangue, a vida não é fácil. Nem sempre dá para voltar pra caverna com o almoço na barriga. Mas os que conseguiram sangue durante o dia dão uma força aos malsucedidos, oferecendo a eles o sangue que sobrou na boca. Mas não tem conversa: quem não retribuir a oferta quando a situação for inversa fica com a reputação manchada e é banido do almoço grátis. Mas em alguns casos somos altruístas sem querer nada em troca, nem inconscientemente. Isso acontece quando se trata das nossas famílias. E é aí que, para os neodarwinistas, fica mais clara a forma como os genes nos dominam.

Para saber mais
Tábula RasaSteven Pinker, Companhia das Letras, 2004
O Relojoeiro CegoRichard Dwalkins, Companhia das Letras, 2001
A Vida no CosmosLee Smolin, Unisinos, 2004

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Matéria publicada na Folha de Londrina, 20/06/2007:
  • Manchete na primeira página:
Vaticano divulga cartilha com orientações para os motoristas inspirada nos dez mandamentos
(http://www.bonde.com.br/folhadelondrina/) - edição de 20/06/2007
A Matéria na página 10 do jornal impresso:

Ultrapassagem perigosa é pecado
Cidade do Vaticano- A ultrapassagem de um carro de forma perigosa é pecado para a Igreja Católica, segundo as recomendações divulgadas pelo Vaticano ontem para os motoristas. A ausência de cortesia, os gestos vulgares, as blasfêmias e os insultos também figuram entre os pecados mais comuns praticados pelos motoristas, assegurou o cardeal Renato Martino ao apresentar o documento ''Orientações para a pastoral das estradas'' preparada pelo Conselho Pontifício para os Migrantes, que recorda que os católicos devem fazer o sinal da cruz antes de iniciar uma viagem. ''Os meios de transporte podem servir para promover as virtudes cristãs, entre elas a prudência, a paciência e a caridade'', afirma o Conselho, que elaborou um ''decálogo especial'' para os motoristas inspirado nos dez mandamentos.
France Presse
Na internet, encontra-se no site:
http://www.bonde.com.br/folha/folhad.php?id=22264LINKCHMdt=20070620


Enviei ao Jornal a seguinte carta, comentando a matéria:

Pastoral das Estradas
Noticiado em primeira página, em letras garrafais, a Folha de Londrina desinforma seus leitores sobre a verdade dos fatos (edição de 20/06/2007 – Direção perigosa agora é pecado – página 10). Não existe nenhuma publicação ou declaração da Igreja Católica a respeito de ser “pecado” qualquer transgressão no trânsito. O resumo desta notícia – versão verdadeira – está à disposição no site http://www.zenit.org/article-15391?l=portuguese. O documento original, em italiano, encontra-se no site do vaticano, no endereço: http://212.77.1.245/news_services/bulletin/news/20446.php?index=20446&po_date=19.06.2007&lang=po.
No dito documento, em momento algum é proposto que alguma atitude desrespeitosa ou irresponsável no trânsito seja “pecado”, como sugere tal notícia publicada na Folha. Quando o jornal dá essa interpretação, banaliza irresponsavelmente um assunto extremamente importante: a preservação da vida no trânsito.
O número assustador de mortos nas ruas e estradas preocupa todos aqueles que defendem a vida. O Vaticano propõe que a “Pastoral das Estradas” seja difundida pelas Conferências Episcopais nos países em que ela ainda não existe. Tal Pastoral propõe-se a diminuir esses sofrimentos e mortes: ela deve agir de forma educativa e orientar os envolvidos no trânsito para que defendam a vida, sejam atenciosos e responsáveis. Entre as diversas ações, foram propostos dez tópicos – análogos aos Dez Mandamentos do Senhor – que orientam para a defesa da vida acima de tudo, além de uma convivência fraternal no trânsito, pautado sempre pela cortesia, prudência, caridade, apoio, perdão e responsabilidade.
Esta Pastoral tem, como uma de suas missões, denunciar situações perigosas e injustas causadas frequentemente pelo tráfego. Além disso, a Igreja e o Estado devem unir-se para combater a violência do trânsito, sob o objetivo comum da defesa da vida.
Se todos forem responsáveis quando estiverem no trânsito, observarem rigorosamente as regras básicas de defesa da vida, muitas mortes, mutilações e sofrimentos poderão ser evitados. Não precisa ser católico para perceber isso... aliás, não precisa seguir nenhuma religião para perceber o valor da vida e o cuidado que devemos ter para preservá-la!


A Folha de Londrina não quis publicar tal carta, sob a seguinte alegação:
Caro André, a notícia publicada pela Folha da agência France Presse traz exatamente o que os demais meios de comunicação informaram a respeito dos 10 mandamentos do motorista recomendados pelo Vaticano. A própria TV Globo, com sua correspondente na Itália, deu a mesma notícia. Portanto, não vemos razão para publicação de seu artigo. Contanto com sua compreensão e atenção, Editoria de Opinião da Folha de Londrina.


O que dizer????
Oras, a FOLHA DE LONDRINA coloca-se numa posição parcial, quando não admite um comentário de uma matéria que publica. Na verdade, não aceita a crítica.
A matéria publicada pela Folha, enquanto pouco mostra o verdadeiro objetivo da divulgação feita no Vaticano, propõe uma visão debochada e extremamente superficial, sobre um assunto sério debatido e proposto por uma instituição milenar que é a Igreja Católica.

No dia seguinte (21/06/2007), a Folha de Londrina publica novamente a mesma matéria, mas desta vez re-escrita por uma jornalista local. Piorou, pois agora esta jornalista foi às ruas buscar opiniões sobre o título da matéria e não sobre o conteúdo da matéria original - aliás, conteúdo que a Folha nunca deu seu verdadeiro e correto destaque. Subentende-se que o seu objetivo é superficial; não é de discutir o cerne da questão e muito menos divulgar o documento correto e verdadeiro emitido pelo Vaticano. Vejamos abaixo essa sequência:

No caderno CIDADES, página 02 - na coluna Fala, cidadão:

Você acha que dirigir de forma perigosa é pecado?

  • ''Penso que não. Acho que no dia-a-dia é preciso se acostumar. Sou católico não praticante, e acho que não tem nada a ver. Pecado é sair de casa mal-humorado e distribuir sua raiva em todo mundo na rua.'' Antônio Valério, 54 anos, taxista.
  • ''Depende. Tem que ver o que é a dirigir perigosamente. Se põe a vida de outras pessoas em risco, como dirigir em alta velocidade, furar semáforos, eu acho que é pecado sim. Se não, é falta de respeito e irresponsabilidade.'' Dartagnan de Vitor Carvalho Silva, 22 anos, auxiliar administrativo.
  • ''Sim, porque se a pessoa dirige de forma perigosa e mata alguém está pecando. Por isso concordo com essa orientação da Igreja. Acho que hoje em dia as pessoas não respeitam muito, e com isso elas vão se conscientizar mais.''Cláudia Manella, 34 anos, secretária.
  • ''Eu acho que considerar isso pecado é uma forma de sensibilizar as pessoas, e vai contribuir para melhorar o trânsito. Se for analisar a fundo, acho que é pecado sim. A gente vê cada barbaridade no trânsito que é só por Deus mesmo.'' Ângela Grigonis, 26 anos, comerciante.

Publicado no site (http://www.bonde.com.br/folha/folhad.php?id=22881LINKCHMdt=20070621)

Mais à frente, na página 04, a seguinte reportagem, sob o título:

Direção perigosa agora é pecado

A Igreja Católica divulgou esta semana uma lista dos dez mandamentos do motorista, considerando pecado desrespeitar orientações como ter cortesia, correção e prudência, ajudar o próximo em necessidade e as famílias dos acidentados, proteger a parte mais vulnerável, ser responsável para com o próximo e promover o perdão entre culpados e vítimas. A idéia de que, além de correr o risco de levar uma multa, o motorista pode também estar cometendo um pecado ao infringir as leis de trânsito pode, a longo prazo, provocar uma mudança de comportamento nos condutores de veículos. Essa é a opinião de Eliana Aparecida Ramos Damaceno, 42 anos. Ela é vereadora em Jaguapitã, e não gosta de dirigir em Londrina, porque aqui ''as pessoas não têm muito respeito''. Para ela, a cordialidade, o respeito e a prudência no trânsito são necessários independentemente da religião da pessoa. ''Não considero a infração a esses princípios um pecado, mas uma falta de respeito com o ser humano. Carro não é arma, é um meio de transporte'', define. Já o taxista Armando de Jesus, 60 anos, acredita que esse posicionamento da Igreja Católica não deve influir muito na atitude de cada um. ''Cada um deve saber o que faz'', recomenda. Mesmo sem ser católico, Armando concorda com a atitude da igreja em relação ao assunto. ''O motorista de Londrina buzina bastante, acha melhor buzinar do que frear. É preciso ter mais paciência. Não é fácil, mas a pessoa tem que se esforçar. Eu mesmo nem ligo, já me acostumei'', afirma.

Para Ildefonso Dellaroza, 77 anos, que sempre trabalhou dirigindo e há mais de 20 anos atua como taxista no mesmo ponto, manter a calma e ter paciência no trânsito de hoje é uma missão difícil. ''Às vezes tem carro que fica fazendo cera na minha frente, o motorista não anda dentro da faixa da sua pista, fala ao celular, e isso me irrita. Acho que cada um tem seu temperamento, e eu sou meio nervoso. Queria ser mais calmo, mas já nasci com o sangue meio violado'', argumenta. Apesar desse temperamento, Dellaroza preocupa-se em manter uma boa conduta no trânsito. O taxista conta que já se envolveu em um acidente em que o outro motorista estaria errado, mas acabou pagando o conserto de ambos os carros. ''Ele ficou tão feliz que veio me mostrar o carro dele consertado. E saiu falando bem de mim. Também sempre ajudo no que posso quando vejo um acidente'', conta, mostrando que, mesmo antes de o Vaticano divulgar os dez mandamentos do motorista, já havia praticado alguns deles.

O padre Romão Martins reconhece que a correria e o stress do dia-a-dia levam muitos a descontar sua raiva no trânsito, acabando por infringir algumas regras de conduta. ''A orientação do Vaticano procede, porque qualquer atentado contra a vida é um pecado. Pecado é tudo aquilo que atenta contra a vida e prejudica as relações humanas e com Deus'', esclarece, lembrando que se omitir ao invés de ajudar também é pecar. Para Romão, além de refletir, essas orientações devem levar o motorista a preparar o espírito e o coração para enfrentar o trânsito cada vez mais conturbado das grandes cidades. ''Eu mesmo já fui multado. Não é vergonha receber uma multa, porque qualquer pessoa é passível de cometer um erro. O que não se pode é fazer disso uma regra, colocar a vida alheia em risco. Prejudicar a vida de alguém é pior, e o valor é tão alto que não tem preço''.

Adriana Ito

Reportagem Local

http://www.bonde.com.br/folha/folhad.php?id=22906LINKCHMdt=20070621


Novamente pergunto: O que dizer????

Veja que, desta vez, a repórter não menciona a Pastoral das Estradas e nem a preocupação do Vaticano com a divulgação e crescimento desta Pastoral como um braço da Igreja que protegerá vidas e diminuirá o sofrimento das vítimas do trânsito.

Escrevi nova carta para a Folha, que desta vez, não se dignou a responder e muito menos a publicá-la. Veja a seguir:

Prezado Editor

Agora que publicaram uma reportagem local a respeito do assunto (não é uma reportagem "comprada" de outro veículo), acredito que aceitarão meus comentários...

Segue, então, minha opinião para o Espaço Aberto, a respeito da reportagem entitulada "Direção perigosa agora é pecado".

Grato pela atenção



Pastoral das Estradas

O título de uma notícia publicada na página 04 do caderno Cidades, da edição de 21/06/2007, desvirtua o conteúdo da matéria original: a divulgação da Pastoral das Estradas pelo Vaticano, no último dia 19/06. Outros jornais, como "O Estado De São Paulo" por exemplo, noticiaram a mesma matéria com uma chamada mais objetiva "Os Dez Mandamentos do Trânsito", e uma descrição objetiva de seu conteúdo, não perdendo seu foco em nenhum momento - confira no site: http://www.estadao.com.br/ultimas/mundo/noticias/2007/jun/19/178.htm. O conteúdo dessa notícia está também à disposição no site http://www.zenit.org/article-15391?l=portuguese. O documento original, em italiano, encontra-se no site do vaticano, no endereço: http://212.77.1.245/news_services/bulletin/news/20446.php?index=20446&po_date=19.06.2007&lang=po.

As colocações do Padre Romão Martins foram muito bem vindas, já que esclarece o nobre objetivo da defesa da vida, e que qualquer ato contra a vida é uma transgressão moral: obviamente torna-se um pecado para os católicos e uma insensatez para aqueles que não são católicos ou que não acreditam em pecado!

O número assustador de mortos nas ruas e estradas preocupa todos aqueles que defendem a vida. O Vaticano propõe que a “Pastoral das Estradas” seja difundida pelas Conferências Episcopais nos países em que ela ainda não existe. Tal Pastoral propõe-se a diminuir esses sofrimentos e mortes: ela deve agir de forma educativa e orientar os envolvidos no trânsito para que defendam a vida, sejam atenciosos e responsáveis. Entre as diversas ações, foram propostos dez tópicos – análogos aos Dez Mandamentos do Senhor – que orientam para a defesa da vida acima de tudo, além de uma convivência fraternal no trânsito, pautado sempre pela cortesia, prudência, caridade, apoio, perdão e responsabilidade.

Esta Pastoral tem, como uma de suas missões, denunciar situações perigosas e injustas causadas frequentemente pelo tráfego. Além disso, a Igreja e o Estado devem unir-se para combater a violência do trânsito, sob o objetivo comum da defesa da vida.

Se todos forem responsáveis quando estiverem no trânsito, observarem rigorosamente as regras básicas de defesa da vida, muitas mortes, mutilações e sofrimentos poderão ser evitados. Não precisa ser católico para perceber isso... aliás, não precisa seguir nenhuma religião para perceber o valor da vida e o cuidado que devemos ter para preservá-la!


Mais uma vez, pergunto: O que dizer???...