segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Achados mas não perdidos...

Fazendo a limpeza e reciclagem de todo o arquivo do escritório do meu falecido pai (por sucessão do meu avô), tenho encontrados algumas coisas interessantes. Na última revisão, encontrei dois livros:

1) IL CAFFÈ - Il suo paese e la sua impartanza (S. Paulo del Brasile). con 48 tavole, 7 diagrammi e carta delle zone caffeifere. De Ulrico Hoepli. Editora Libraio della Real Casa MILANO. 1910.




2) O Café - Observações Botanicas, producção, consumo; por F. Semler. Vertido do alemão por um velho fazendeiro. Typographia Salesiana, 1896. São Paulo.



Na primeira página do livro - IL CAFFÈ - há uma dedicatória... pena que só um especialista para entender o que está escrito...




Como está escrito, o primeiro livro - IL CAFFÈ - traz sete gráficos explicativos.

O primeiro dos "7 diagrammi" fala sobre a oscilação do preço médio do café, entre 1850/51 e 1909/10. A unidade de peso utilizada é 50kg. A unidade de valor é Liras.




No segundo "diagrammi", temos o comparativo da produção média de café: mundial, Brasil e outros países, em milhões de sacas, ente 1865 e 1910.




Já o terceiro "diagrammi" trás a produção média mundial de café, entre 1899/1900 e 1908/09, em milhões de sacas.




No "diagrammi" seguinte, 4º, é apresentado o consumo médio de café, em milhões de sacas, entre 1899/1900 até 1908/09.




No 5º "diagrammi", apresenta-se a divisão da produção mundial da safra 1908/09 de 16.685.000 de sacas de café, aonde São Paulo produziu mais da metade do café produzido no mundo, naquela safra: 10 milhões de sacas, seguido pelo Rio de Janeiro e Minas Gerais (juntos) com 3 milhões de sacas, e com Victoria e Bahia em terceiro, com 580.000 sacas. Ou seja, mais de 81% do café produzido no mundo, naquela safra, veio do Brasil!




Infelizmente, eu sou um ignorante em Italiano (uma vergonha para um Lazzarini, mas eu assumo...). Então o 6º diagrama ficará aqui, para quem puder ajudar e traduzir o que está escrito... agradeço antecipadamente!!! Salvo pela estimada amiga Jucelia Kohler:

Carissimo, não sou tão boa assim, mas aí vai:
"Diagrama de imposto de consumo de café ou de direitos de importação que se aplicam em vários países"




Enfim, o último "diagrammi"... mostra a exportação de café no ano de 1901/02 em sacas de 60kg, aonde cada saco da figura, representa 50mil sacas.




Note que, nesta safra, só o Brasil produziu quase o mesmo montante que a safra de 1908/09. Outra: Nesta safra (01/02), o mundo produziu aproximadamente 19,7 milhões de sacas de café: 82% foi produzido pelo Brasil.


Observando mais atentamente os dados dos gráficos: as safras mundiais entre 1902/03 e 1905/06 foram ruins - possivelmente os países produtores de café sofreram com o frio ou algum outro problema, exceto o Brasil, pois ele foi o responsável pela elevação das produção mundial, o que sustentou o abastecimento do consumo mundial crescente.Num momento inicial derrubou o preço médio do café (excesso de oferta?). Mas na sequência, mesmo numa produção crescente, o preço voltou a subir após 1905, quando o Brasil ganhou mais mercado, aumentando sua participação na produção mundial de 57% para 83%.


No livro "O Café", de Semler, 1896, há alguns parágrafos cuidadosamente assinalados a caneta (terá sido meu avô?). Dentre eles, destaco:

"Em quanto não se introduzir no commercio a praxe de avaliar-se a bondade do café por experiencias feitas com o café em infusão, há de servir de padrão o tamanho, a forma e a cor das favas."


"A discussão muitas vezes travada, com o fi de indagar-se a qual das qualidades de café deve se dar a palma, redunda em perda de tempo, prevalecendo n'estas materias o gosto individual. Mesmo o café Moka não faz excepção a esta regra, porque, tomado sem mistura, só agrada a pessoas acostumadas a café brandos. Sobre um ponto, todavia, não pode haver discussão: na preparação do café deve-se proceder como na do cacáo e do chá: deve-se fazer uma mistura de qualidades de café que se completem umas as outras. Existem varias qualidades de café de aroma delicado, mas cuja infusão tem pouco "corpo", expressão esta que passou do commercio do vinho para o café."


"O café Rioka é incontestavelmente melhorado com uma mistura de café Java. Se, porém, não se possuir alguma boa qualidade de café para misturar com as inferiores, deve-se usar de uma pequena adição de cacáo ou chocolate."


Ainda o mesmo livro "O Café", de Semler, 1896: o crescimento da exportação de café pelos portos do Rio de Janeiro e Santos:
"Em 1871-1872:
Rio de Janeiro = 246,600,000 libras
Santos = 59,400,000 libras
Total = 306,000,00 libras
Em 1880 - 1881:
Rio de Janeiro = 508,800,000 libras
Santos = 140,320,000 libras
Total = 649,120,000 libras
O augmento orçou nesses ultimos dez annos em 112%."

E, no final deste curioso livro, uma orientação:

"Quando o fazendeiro desejar estrumar o seu cafezal, o melhor alvitre, o mais scientifico e racional que tem de adoptar é simplesmente mandar á estação agronomica de Campinas uma amostra da terra, assim como a indicação da edade do cafezal.

O laboratorio de Campinas por pouco dinheiro, faz a competente analyse e mandará dizer a quantidade e a qualidade de estrume, que mais proveito lhe dará."


A visão "ecológica" do final do século IXX



Destruição das mattas


"Destruir soberbas mattas de terras uberrimas, que vão ser entregues para sempre à cultura, não é grande mal e mesmo não se podera recriminar contra esta pratica se toda a madeira de lei fosse aproveitada.

Mas destruir mattas ou capoeiras só para tirar duas ou tres colheitas, atear fogo em quasi um districto inteiro, para fazer verde para algumas cabeças de gado, queimar immensos campos e mattas pella locomotiva de estrada de ferro mal dirigida, ou arrazar florestas de ingremes morros, de profundas barrocas, de nascentes d'agua ou de beira-rio, ou inutilisar as mattas junto a centro populosos só para aproveital-as como carvão ou lenha, é simplesmente procedimento de bugres ou de vandalos e o governo ou mesmo as Camaras Municipaes deveriam com leis as mais severas pôr um paradeiro a tão insensato, quão imprudente procedimento.

Com a destruição exagerada das florestas o clima do apiz modifica-se completamente: as estações tornam-se irregulares, as chuvas, ora vem cedo, ora tarde, ou são copiosas demais, os rios tornam-se caudalosos e ha fortes inundaçõe ou então seccam quassi completamente, a ponto de não darem agua para fazer trabalhar a mais insignificante machina; os ventos estão sempre emprenhados de forte camada de pó, o calor, torna-se abrasador; tudo isso contribue para o mal estar dos habitantes e tambem para a irregularidade da producção, esterilisando o paiz pouco a pouco. Foi devido a esses motivos que no tempo antigo se deram as grandes emigrações de povos inteiros, pois os habitantes não encontravam mais na sua patria recursos para sustental-os, ainda que não fosse tão densa a sua população. Entretanto, se hoje os paizes os mais adiantados da Europa tem obtido maior producção, não é só isto devido a sua sabia agronomia, mas à sensata conservação que elles tem sabido dar a suas florestas augmentando-as diariamnte e apoiados por sabias leis que são fielmente cumpridas; isto tem tambem contribuido poderosamente para estabelecer um clima igual, havendo completa uniformidade na mudança das estações, augmentando sempre sua producção, até não lhe faltando nem lenha, nem madeira que é obtida por preço inferior ao que pagamos nós, o que não deixa de contribuir muito para o seu bem estar. Estas verdades começam a calar tanto o espirito dos outros povos, que importantes trabalhos têm sido executados ultimamente neste sentido na India e no Japão, sem contar as colonias Inglezas,onde já ha dezenas de annos que muita cousa se faz a esse respeito.

Portanto nós também devemos tratar de não destruir tanto as nossas mattas e fazer novas florestas em terras inuteis à lavoura e que para o futuro serão os grandes interesse pecuniario e verdadeira e solida herança de familia. Lembramos como arvores e florestas de rapido crescimento e de excellente madeira o cedro, o timbó, a cajarana, o pinheiro, o guarantan e muitas outras e as estrangeiras como os ecualiptus, as conifereas, os carvalhos, etc., etc., que em menos de trinta annos poderiam fornecer bem soffrivel taboado.

Para a a cultura dessas arvores ha despezas só nos primeiros 4 a 5 annos, porque depois a sua conservação pouco gastos occasiona; estamos convencidos que cada arvore faz um a dous mil réis de madeira por anno. Accresceria a vantgem destas terras muito augmentarem de valor, porque iriam pouco a pouco recuperando as suas forças productivas."


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Retirado do livro "O Café - Observações Botanicas, producção, consumo"; por F. Semler. Vertido do alemão por um velho fazendeiro. Typographia Salesiana, 1896. São Paulo.

sábado, 14 de agosto de 2010

Um ano

Está para completar um ano sem sua presença física.
Sem seu olhar, sua companhia, suas palavras, ideias e opiniões.

Há exato um ano,vivíamos seus últimos momentos de lucidez.

A lembrança emociona-me ainda. Acho que isso será ainda por muito tempo.

Como fã das artes, principalmente cinema e música, Frank Sinatra foi um de seus ídolos, que ele acompanhou de perto durante todos os seus quase 75 anos.

Em sua homenagem, publico abaixo, uma das músicas preferidas e que traduzem muito de sua personalidade, do seu modo de viver.

My Way é como ele via a vida, como ele enfrentava seus dias, suas alegrias e decepções. Ao seu modo, ele enfrentou sem desistir em nenhum momento sequer, tudo o que a vida lhe propôs.
Do seu jeito especial, ímpar, ele fez o melhor...

For what is a man, what has he got?

If not himself, than he has naugth

To say the things he truly feels

And not the words of one who kneels


My Way foi a sua vida, ao seu modo.


André Lazzarini - 2010/o8/15.

My Way

And now the end is near

And so I face the final curtain

My friend, I'll say it clear

I'll state my case of which I'm certain

I've lived a life that's full

I traveled each and every highway

And more, much more than this

I did it my way

Regrets, I've had a few

But then again, too few to mention

I did what I had to do

And saw it through without exemption

I've planned each charted course

Each careful step along the byway

And more, much more than this

I did it my way

Yes there were times, I'm sure you knew

When I bit off more than I could chew

But through it all when there was doubt

I ate it up and spit it out

I faced it all and I stood tall

And did it my way

I've loved, I've laughed and cried

I've had my fill, my share of losing

And now as tears subside

I find it all so amusing

To think I did all that

And may I say, not in a shy way

Oh no, oh no, not me

I did it my way

For what is a man, what has he got?

If not himself, than he has naugth

To say the things he truly feels

And not the words of one who kneels

The record shows, I took the blows

And did it my way

Frank Sinatra

Um Dia Aprendes

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. E começa aceitar as suas derrotas com a cabeça erguida e os olhos adiante, com a graça de uma criança e não a tristeza de um adulto.

E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno de amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair ao meio ao vão. Depois de um tempo aprendes que o sol queima se ficares exposto por muito tempo. E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceitas que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai magoar-te de vez em quando e tu tens de perdoá-la por isso.

Aprendes que falar pode aliviar as dores emocionais. Descobres que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la e que você pode fazer coisas num instante, das quais te arrependerás para o resto da vida. Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo em longas distâncias. E que o que importa não é o que você tem na vida, mas o que é na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que não temos de mudar os amigos se compreendermos que os amigos mudam, percebes que o teu amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

Descobre que as pessoas com quem mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começas aprender que não deve comparar com os outros, mas com o melhor que você mesmo pode ser. Descobre que leva muito tempo a tornar-te a pessoa que quer e que o tempo é curto. Aprende que não importa aonde já chegou, mas onde está indo. Aprendes que, ou controla os seus atos ou eles te controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

Aprende que heróis são aqueles que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que te ajuda a levantar. Aprende que a maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou.

Aprendes que há mais dos teus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são tolices, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprende que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de seres cruel.

Descobre que só porque alguém não te ama da maneira que quer que te ame, não significa que esse alguém não te ame com tudo que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas não sabem como o demonstrar.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens que aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que, com a mesma severidade com que julgas, serás em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não para que o concerte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.

E aprendes que realmente podes suportar... que realmente és forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensares que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que tu tens valor diante da vida! As nossas dúvidas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar se não fosse o medo de tentar.

William Shakespeare