sábado, 12 de janeiro de 2008

A educação do prazer: desde a infância?

  • *Por João Malheiro *
Ao depararmos nos noticiários com jovens de classe média abastados que agem de forma cruel e infra-humana, matando, por exemplo, pessoas da sua própria família, ou com pais que jogam o próprio filho recém-nascido no pára-brisa de um carro por raiva, é cada vez mais comum nos perguntarmos: o que é que está acontecendo com a sociedade? Como é possível que um ser humano possa chegar a semelhantes níveis de violência e insensibilidade? O que leva essas pessoas a perder totalmente a racionalidade e a transformarem-se em verdadeiros “bichos do mato”?

Há diversas possíveis respostas para estas indagações – sejam de índole médico-psiquiátrica, sociológica, filosófica, religiosa etc. – e, portanto, haveria que se pesquisar caso por caso para evitar generalizações perigosas e superficiais. Mas acredito que em todas elas se pode apurar que um grande parte da culpa recai na deficiência, desde a infância, da educação do prazer. Uma deficiência que foi crescendo, desde os anos 70, paulatinamente, década por década, mas que, atualmente – qualquer pai e educador percebe claramente –, vem chegando a níveis bastante preocupantes.

Qualquer pai, educador ou psicólogo sabe por experiência que a dificílima tarefa de educar consiste justamente em ir fortalecendo, ano após ano, passo a passo, num grande exercício de paciência, a inteligência e a vontade do “pimpolho” de modo que consiga que toda a sua carga afetiva-sentimental, instintiva-passional e os seus sentidos-gostos sejam moderados e direcionados para as grandes metas da vida. Antes da inversão da “chave” (de “<” para “>”), qualquer criança viverá sob o domínio do prazer sensível e identificará felicidade com prazer, o que é um dos maiores enganos deste início de século. Se perguntarmos a um adolescente o que o torna feliz ou o que ele identifica como felicidade, descobrirá que para uns será dormir bastante e a qualquer hora, comer o que lhe der na telha e nas melhores praças de alimentação, divertir-se com os mais diversos recursos audiovisuais que a indústria eletrônica oferece para todos os gostos, viajar bastante nos feriados, ir às festas mais badaladas da noite: enfim, as alegrias materiais, fugazes, rápidas, que não deixam muita coisa no “ser” e que, apesar de serem elementos importantes para a felicidade, não são nem de longe o mais importante.

BUSCAR O PRAZER E EVITAR A DOR

Em outros casos, detectaremos que o jovem adolescente identificará a felicidade com “fazer o que se gosta e fugir do que custa”: é a dinâmica própria da velha doença dos sentimentos desvairados que se chama sentimentalismo. Todo mundo quer e gosta de se sentir bem. O problema não é esse. O problema está em parar nisso: em colocar o fim da vida nisso, pois como será possível alcançar os ideais altos que todo ser humano normal anseia, ou conseguir almejar uma capacidade séria e forte de compromisso, somente sentindo-se bem na vida?

Por fim, outros ainda alegarão que felicidade é ficarem na sua “bolha”: o quartinho, a caminha, a mesinha, com ar condicionado, frigobar, computador-TV-videogame-DVD, cachorrinho, livres dos perigos da vida... Quantas mães são as próprias criadoras destas “bolhas”, que não passam de “câmaras” de infra-filhos, os quais irão crescer sem anticorpos para vencer as dificuldades da vida!

Podemos observar, portanto, que toda a criança, nos primeiros anos da sua vida, é “naturalmente” egoísta e tremendamente hedonista (prazer pelo prazer, sem porquês, sem medidas, sem limites). Como se já não bastasse toda esta força negativa da própria natureza humana da criança, vem-se somando, desde os anos 70, uma outra carga negativa que é a força do meio em que toda criança vive. É já lugar-comum afirmar a força que exercem hoje os meios de comunicação – TV, outdoors, internet, filmes, músicas – nas escolhas dos jovens e adolescentes.

A PRIMAZIA DOS SENTIMENTOS

Se fizéssemos uma exploração histórico-filosófica – aqui daremos somente umas breves pinceladas – desde a Idade Média até ao início do século XX, perceberíamos com muita facilidade que os domínios da inteligência e da vontade sempre se foram revezando na primazia: em algumas épocas, o grande “valor” social eram as conquistas e as guerras; em outras, as grandes descobertas; ora o heroísmo do além-mar, ora o mundo das idéias. Nem a inteligência nem a vontade nunca se deixaram perder ou rebaixar pelo mundo dos sentimentos e dos afetos. No início do século passado, influenciados tanto por alguns filósofos que, reagindo a tanto racionalismo e cientificismo humano, “lançaram no mercado” a supremacia dos sentimentos, como por um rápido desenvolvimento tecnológico, que oferece ao mundo conforto e prazer jamais imaginados pelos nossos antepassados, a sociedade se “vendeu” ao prazer.

Durante todos estes anos, semelhante idolatria foi crescendo e ganhando espaço e hoje – com a revolução tecnológica que permitiu a globalização –, parece que estamos chegando perto do seu ápice. O fato é que esta força social é a grande motivação de muitos pais para trabalharem doze horas por dia e se matarem irracionalmente para ganhar muito dinheiro que permita, primeiro, “ter” para curtir a vida e mostrar aos outros que “têm”; e, depois, oferecer aos filhos aquilo que a sociedade diz ser felicidade. Esta é a grande responsável de que os pais poupem sofrimento aos filhos, custe o que custar, em vez de lhes ensinar – aos pouquinhos – como enfrentar o sofrimento e dar-lhes um sentido na hora da dor. É ela que vem induzindo o adolescente a fazer de tudo para se “sentir” feliz de forma errada e nociva.

O que acontece quando a força negativa da natureza da criança se soma a essa força social? Qualquer pai ou mãe que analise em profundidade as conseqüências nocivas que essa resultante de forças cria, só pode e deve ficar bastante preocupado. Perceberá que muitas delas se identificarão com algumas das “chagas” sociais que tanto se comentam nas reportagens dos jornais e, quiçá, se encontram na sua própria família.

CONSEQÜÊNCIAS DO PRAZER COMO FINALIDADE

Uma criança que identifique felicidade com prazer facilmente se tornará consumista e materialista: só se “sentirá feliz” se puder ir ao shopping todos os fins de semana e comprar a vigésima calça para a festa da amiguinha; terá vergonha de ir ao colégio se o pai não tiver o carro do ano; fará de tudo, se precisar, para conseguir ter mais dinheiro.

Uma criança que é educada na dinâmica do sentimentalismo – fazer só o que gosta e fugir de tudo o que custa – será, em primeiro lugar, uma pessoa fraca de vontade: não terá capacidade de alcançar os ideais altos que exigem muita garra e fortaleza e será um inconstante infeliz; não conseguindo conquistar esses ideais e sendo “discriminado” pela vida, com muita probabilidade tornar-se-á uma pessoa depressiva – já chamam a depressão de “doença do século XXI”! – e imatura, porque não consegue vaga na faculdade, no mercado de trabalho, não é feliz no namoro, não tem alegria na vida. Para quem se encontra num estado interior assim, passar para a violência requer apenas um pulinho. A violência da classe média é, na maioria das vezes, reflexo da sua própria fraqueza, construída normalmente com as facilidades e mimos dos familiares.

Por outro lado, uma pessoa fraca, depressiva e violenta – queira ou não queira –tornar-se-á uma pessoa solitária, sem amigos e sem amores. Fica fácil entender agora por que muitos jovens hoje se escondem – se alienam, se refugiam – nas drogas e nas mais diversas modalidades do sexo? Por que parecem “bichos do mato”?

Por mais alarmistas que possam parecer estas considerações, é uma pena ter de reconhecer que se trata de uma realidade muito próxima. Em todos os exemplos anteriores, como consultor educacional e com experiência de mais de 20 anos na área educacional, poderia citar nomes e sobrenomes de inúmeros casos iguais ou semelhantes.

MOSTRAR ONDE ESTÁ A FELICIDADE

É necessário e urgente investirmos pesado na educação dos nossos jovens. É preciso mostrar-lhes que a felicidade não está no prazer desvairado e irracional, mas no prazer certo, no lugar certo, na medida certa e com a finalidade certa. Que para isso é preciso aprender, desde cedo, a dizer “não” a muitos desejos e impulsos. Que quando são bem explicados, os porquês dos “não” não só não traumatizam – como já se disse muito por aí – mas libertam, e no fundo estão dizendo “sim” à verdadeira felicidade, à verdadeira realização, aos verdadeiros amores. Que não é muito inteligente buscar um prazer imediato, irrefletido e animal, que conduza depois a tanta tristeza e depressão, que duram, às vezes, por períodos longos ou até a vida toda.

Está na hora de investir intensamente nas alegrias da inteligência, dos valores humanos, da descoberta do sentido da vida, da cultura, das convicções firmes. Como também chegou o momento de resgatar o papel fundamental que tem, no equilíbrio das paixões e na harmonia dos sentimentos, a conquista da vontade, do amor real e da verdadeira amizade. Somente assim será possível darmos às nossas crianças capacidade de enfrentar e superar toda a pressão interna e externa que sofrem todos os dias; e dar-lhes a possibilidade de vislumbrar horizontes mais humanos.

**João Malheiro

***Formado em Administração de Empresas pela Universidade de São Paulo (1984) e mestrado em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2003), com ênfase em Projeto Político Pedagógico. Atualmente é doutorando em Educação pela UFRJ, aprofundando no tema da falta de motivação no ensino-aprendizagem e como ela pode se relacionar com a vivência e o ensino da Ética.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

The Secret é um lixo


"Saudações meus amigos! Você quer ser tão feliz quanto eu? Você tem o poder dentro de você agora mesmo para conseguir isso, use-o! Envie R$ 1,00 para o "Programa Eu sou feliz", Evergreen Terrace, Springfield. Não se atrase; a felicidade eterna está apenas hum real de você.",

Homer Simpson.


Querida(o) Amiga(o),
O grande segredo é que você nasceu com super poderes para conseguir o que quiser. Basta querer. Basta acreditar. Basta mentalizar. Você pode tudo. "We are the champion, my friend". Você pode tirar nota 10 em todas as matérias da escola, basta pensar nisso. Você pode conquistar todas as garotas do pedaço, das loiras até as orientais, basta se concentrar nelas. Você pode atrair todos os clientes que desejar, basta focar o seu pensamento nos caras.


The Secret, o livro, o dvd, o cd, a palestra, a camiseta e todas as drogas derivadas dessa porcaria é uma das piores baboseiras que surgiram no pedaço nos últimos tempos. Lixo da pior espécie. Circo e pão para as massas! Saída fácil para os preguiçosos! Você quer saber o The Secret para emagrecer? Pare de comer pão antes de dormir. Se você quer ganhar uma bicicleta, economize a sua mesada. Se você quer um emprego melhor, pare de reclamar da vida, e trabalhe dobrado hoje.


The Secret é uma ofensa em vários aspectos.


1o. Você é culpado pelas coisas ruins que acontecem com você. Insulto a todos os doentes e injustiçados do planeta! Será que os seis milhões de judeus assassinados durante a segunda grande guerra atraíram a maluquice do hitler porque tinham pensamentos negativos? Será que as crianças que morrem na África todos os dias sofrem de mau humor? Será que os cidadãos vítimas de bala perdida pensavam em morte quando foram alvejados? Será que os portadores de HIV pensavam em doenças quando foram vitimados?


2o. O negócio é ser rico. Afinal, The Secret é sobre o quê? Melhorar o mundo? Compaixão? Inovação? Cidadania? The Secret é sobre ficar rico. E para isso, segundo The Secret, você tem que ter coisas. Que coisas? Um carro novo, uma casa nova, uma roupa nova, um computador novo, um corpo novo etc etc etc.


Lixo, lixo, lixo!


O segredo é justamente aprender que você já tem o suficiente. Felicidade é sobre usar a adversidade da tua vida para criar algo fantástico para você e outras pessoas. A história de Rodolfo Nagai, e sua Assai Atacadista é um exemplo disso. Comprada recentemente pelo grupo Pão de Açúcar por 208 milhões de reais, a Assai cresceu atendendo os dogueiros, pasteleiros e pequenas pizzarias, um público abandonado pelos grandes atacadistas. "Os pequenos comerciantes não tinham tempo de comprar, e eu resolvi ajudá-los", diz Nagai. "Quando me dei conta, estava atendendo dezenas de pequenos comerciantes." Pare de sofrer ao tentar ser o que você não é. O segredo é encontrar significado na tua vidinha atual, e não desejar ser algo que você não é ou não pode ser agora.


3o. Você pode ser tudo, basta acreditar. Não, você não pode!!! Bobeira! Se você é bom em história deve ser terrível em matemática e vice-versa. Se você é bom em finanças, deve ser terrível em marketing e vice-versa.
Você não é bom em tudo e nem deve ser. Se você colocar dez pessoas em uma sala de aula para aprender uma matéria nova seja ela qual for, no final do dia duas pessoas serão crânios no assunto, cinco serão medianas, três serão terríveis, mesmo recebendo o mesmo treinamento na mesma hora do mesmo professor. Se acreditar fosse o suficiente para ser excelente em alguma coisa, 70% das pequenas empresas não quebrariam antes de completar cinco anos de idade. Ou você acha que os empresários que quebraram não têm suficiente pensamento positivo? Para ser dono do seu próprio negócio é preciso praticar alguns princípios, e não apenas acreditar neles. 9 em cada 10 brasileiros querem ser donos do seu próprio negócio. Infelizmente, ser dono do seu próprio negócio não é uma profissão para qualquer um. Algumas pessoas simplesmente não têm condição para serem empresários, e isso não quer dizer que alguém seja melhor do que alguém por causa disso. Como empresário você precisa trabalhar três vezes mais do que um funcionário tradicional. Esqueça as horas extras com a família. Esqueça os finais de semana e pontos facultativos por pelo menos 5 anos. Às vezes será preciso limpar a própria privada, entregar a própria venda, e consertar o próprio computador.


Você está pronto para isso?


A sua família te dá o suporte para seguir em frente?


Ser dono do seu próprio negócio significa ter autodisciplina e confiança ao extremo. Você é do tipo de acorda todos os dias pronto para DESTRUIR DE VIVER ou você é do tipo que "simplesmente" não tá a fim de encarar as pessoas hoje? Você consegue aprender inglês sozinho ou precisa pagar um cursinho para te ensinarem o que aprender? Você consegue perder peso sozinho em corridas solitárias no parque próximo a sua casa ou precisa pagar um personal em alguma academia para te motivar? Você gosta de vender os produtos e serviços que produz, ou precisa de alguém que converse com os clientes para você? Ser dono do seu próprio negócio requer que você seja vendedor de carteirinha.


Se você não se sente confortável em ser vendedor, você terá grandes dificuldades em tocar um negócio. Se você tem dificuldades para se motivar, e precisa do The Secret para levantar a tua bola, o teu fim é fazer parte das estatísticas do Sebrae. The Secret é uma ofensa. Vender tamanha baboseira deveria ser um crime inafiançável. Veja como termina o livro: "Os pássaros cantam para você, as estrelas brilham para você, o sol brilha para você, todas as coisas belas estão aí para você, nada poderia existir sem você. Não importa quem você pensava que era, agora você sabe quem você realmente é. Você é o senhor do universo. Você é a perfeição da vida.


E agora você conhece o segredo." Senhor do Universo? Ah ah ah ah!!! "Pelos poderes de Greyskull!".


The Secret é bom em apenas uma coisa: marketing. Mas mesmo nesse campo eles perdem para outros marketeiros que já revelaram o segredo. Eu acredito que você conhece o slogan deles: "Just do it!".

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Gestão do Fósforo

Recebi este texto de uma amiga, via e-mail.
Achei que tem muito a ensinar... e tudo que tem conteúdo, deve ser divulgado!
So... enjoy it!


Um fósforo, uma bala de menta, uma xícara de café e um jornal: Estes quatro elementos fazem parte de uma das melhores histórias sobre atendimento que conhecemos.

Um homem estava dirigindo há horas e, cansado da estrada, resolveu procurar um hotel ou uma pousada para descansar. Em poucos minutos, avistou um letreiro luminoso com o nome: Hotel Venetia. Quando chegou à recepção, o hall do hotel estava iluminado com luz suave.Atrás do balcão, uma moça de rosto alegre o saudou amavelmente: '- Bem-vindo ao Venetia!'Três minutos após essa saudação, o hóspede já se encontrava confortavelmente instalado no seu quarto e impressionado com os procedimentos: tudo muito rápido e prático.

No quarto, uma discreta opulência; uma cama, impecavelmente limpa, uma lareira, um fósforo apropriado em posição perfeitamente alinhada sobre a lareira, para ser riscado. Era demais! Aquele homem que queria um quarto ,apenas para passar a noite, começou a pensar que estava com sorte. Mudou de roupa para o jantar (a moça da recepção fizera o pedido no momento do registro). A refeição foi tão deliciosa, como tudo o que tinha experimentado, naquele local, até então. Assinou a conta e retornou para o quarto.

Fazia frio e ele estava ansioso pelo fogo da lareira. Qual não foi a sua surpresa! Alguém havia se antecipado a ele, pois havia um lindo fogo crepitante na lareira. A cama estava preparada, os travesseiros arrumados e uma bala de menta sobre cada um. Que noite agradável aquela.

Na manhã seguinte, o hóspede acordou com um estranho borbulhar, vindo do banheiro. Saiu da cama para investigar. Simplesmente uma cafeteira ligada por um timer automático, estava preparando o seu café e, junto um cartão que dizia: 'Sua marca predileta de café. Bom apetite!' Era mesmo! Como eles podiam saber desse detalhe?De repente, lembrou-se: no jantar perguntaram qual a sua marca preferida de café.

Em seguida, ele ouve um leve toque na porta. Ao abrir, havia um jornal. 'Mas, como pode?! É o meu jornal! Como eles adivinharam?'Mais uma vez, lembrou-se de quando se registrou: a recepcionista havia perguntado qual jornal ele preferia. O cliente deixou o hotel encantando. Feliz pela sorte de ter ficado num lugar tão acolhedor.

Mas, o que esse hotel fizera mesmo de especial? Apenas ofereceram um fósforo, uma bala de menta, uma xícara de café e um jornal.

Nunca se falou tanto na relação empresa-cliente como nos dias de hoje.


Milhões são gastos em planos mirabolantes de marketing e, no entanto, o cliente está cada vez mais insatisfeito, mais desconfiado. Mudamos o layout das lojas, pintamos prateleiras, trocamos as embalagens, mas esquecemos-nos das pessoas. O valor das pequenas coisas conta, e muito. A valorização do relacionamento com o cliente. Fazer com que ele perceba que é um parceiro importante!!!

Lembrando que:

Esta mensagem vale para nossas relações pessoais (namoro, amizade, família, casamento) enfim pensar no outro como ser humano é sempre uma satisfação para quem doa e para quem recebe. Seremos muito mais felizes, pois a verdadeira felicidade está nos gestos mais simples de nosso dia-a-dia que na maioria das vezes passam desapercebidos.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

A Coisificação do Homem

A “coisificação” do homem é um sinal do trágico destino da humanidade: a banalização da vida, a perda de valores éticos e morais, invertendo a prioridade da “coisa” sobre a vida. O crescente hedonismo coisifica o homem, pois este passa a ser um instrumento com uma finalidade única e suprema do prazer.

Vende-se a todo instante, através dos meios de comunicação ou por propagandas disseminadas entre as pessoas, a vida fácil, o prazer instantâneo, o valor do “ter” sobre o “ser” das pessoas. O jovem é o alvo mais freqüente e é bombardeado insistentemente com essa inversão de valores. Mas os adultos também são vítimas. Basta uma olhadela na rua ou folhear uma revista para percebermos a banalização da vida humana.

O relativismo moral e religioso é o responsável por essa inversão de valores, que coloca em risco a própria existência do homem. Tudo é verdadeiro e tudo é permitido desde que seja agradável e prazeroso; melhor ainda se for rápido, instantâneo! As pessoas precisam ser críticas a tudo que é colocado à sua disposição, principalmente quando algo é oferecido de forma muito fácil e graciosa: há que se investigar o que está por trás dessa generosidade suspeita.

A pressão para a legalização do aborto, alegando motivos invertidos como justificativa é um exemplo. Oras, alega-se que se há abortos clandestinos, precisamos legalizá-los. Baseando-se nesse raciocínio: se ninguém respeita o limite de velocidade na cidade e estradas, porque não liberá-los? Não! Limita-se a velocidade porque o seu excesso é um risco para vidas humanas. O mesmo raciocínio deve ser aplicado com relação ao aborto – um atentado contra a vida humana. Ainda: se há assaltos a bancos, porque não estudamos uma forma de legalizá-los? Porque o dinheiro é poderoso e é necessário guardá-lo a sete chaves. Então porque não preservar a sete chaves a vida humana, ainda que tenha apenas dias ou semanas, dentro de um útero materno?

Mais uma vez, a solução mágica é apresentada. Como no caso das cotas, aonde é muito mais fácil e eleitoreiro criá-las do que o demorado, mas necessário, investimento na melhora da qualidade da educação pública (Ensino Fundamental e Médio). Se há abortos clandestinos, é muito mais fácil legalizá-lo do que investir em educação e saúde para impedir gestações inconseqüentes. Há a necessidade de parar com os abortos – clandestinos ou não! O caminho correto é a educação. Também urge fiscalizar e condenar aqueles que promovem essa prática clandestinamente.

É preciso parar com essa inversão de valores. É preciso por os “pingos nos is” corretamente. Definitivamente. E assim, livrar as pessoas da banalização da vida humana.

O ser humano é dotado de inteligência. Deve utilizá-la para tomar suas decisões. Deve empregá-la a serviço da vida e da permanência da humanidade sobre a terra. Campanhas de proteção de árvores e matas são lançadas a todo o momento: sim, necessitamos preservar a natureza para sobrevivermos. Mas de que adiantará preservá-las, se o homem aniquila-se a si próprio?


Texto publicado no Jornal de Londrina - edição de 19/10/2007 - pág 02.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Somos todos Astronautas



O Planeta Terra é muito pequeno e muito frágil para a raça humana colocar todos os seus ovos na mesma cesta. Como todos os seres vivos, a mãe-terra um dia morrerá.





Querida(o) Amiga(o),


Está chegando a hora do cidadão comum dar uma volta no espaço. A Virgin Galactic, primeira empresa de turismo aeroespacial, acaba de anunciar o projeto de arquitetura que dará origem ao primeiro spaceport do planeta por onde passarão as "naves" da Virgin. A Virgin Galactic, empresa do Richard Bronson, começa a enviar cidadãos "comuns" ao espaço em 2009. Preço da passagem? US$ 200 mil dólares. Se você tiver esse dinheiro em caixa, e quiser dar uma voltinha até o espaço, visite o site da Virgin e reserve ainda hoje o seu assento.


Quando se fala sobre exploração do espaço, algumas pessoas criticam esse tipo de iniciativa porque acham um absurdo torrar tanto dinheiro para ir até a lua ou algo do gênero quando milhões de pessoas morrem de fome ou sofrem por desemprego no planeta terra. Eu acredito que temos que ir para o espaço doe a quem doer. Se não existe vida em outro planeta, cabe então a raça humana povoá-los. O planetinha que vivemos não suporta e não suportará os bilhões de seres humanos que existem por aqui, e ainda surgirão com suas necessidades maslownianas. Temos que ir para as cabeças. Conquistar o espaço. Ser o ET, ao invés de esperar por eles, e descobrir a origem do universo, e novos lugares para morar.


Se a Espanha e Portugal tivessem esperado até o velho mundo resolver o problema da pobreza na Europa, Ásia e África, ninguém teria descoberto a América. Nós não estaríamos aqui hoje, ninguém teria inventado o computador, a internet, o carro, o avião, a batata-frita e a mulher bonita. Estaríamos todos vivendo apertados no velho mundinho plano imaginado pelos papas corruptos do século quinze. Devemos esperar pela igualdade mundial para avançar um passo? Devemos invadir o país dos pobres e dizer o que é certo fazer?


Nos últimos anos, a África recebeu milhões de dólares em ajuda para sair da lama que se encontra. Resultado: corrupção. Devemos esperar até que os corruptos sumam da face da terra para evoluir? Nem uma coisa nem outra. A humanidade precisa avançar, e quem estiver na frente, quem tiver conhecimento para fazer alguma coisa por alguém deve fazer sem nenhum receio de estar fazendo algo para si mesmo e deixando alguém para trás. Ninguém deve fazer nada por ninguém ou levar algum preguiçoso nas costas. Quem pode, deve avançar, quem tem recursos para levar a humanidade para frente, deve fazê-lo.


A Virgin é a iniciativa privada em ação. Eles vão fazer o quê a NASA em 30 anos não conseguiu fazer em função de governos corruptos, burocráticos, regras ultrapassadas de gestão ou por funcionar como cabide de emprego político para partidos medíocres com causas medíocres. Vamos explorar o espaço sem mexer com os impostos dos contribuintes. Outra iniciativa fantástica que acaba de ser anunciada nos EUA é o projeto Lua 2.0, onde a Google e a Fundação XPrize lançaram um prêmio de 30 milhões de dólares - o maior prêmio da história da humanidade - para aquele que apresentar um projeto de exploração da Lua onde efetivamente colocamos um robozinho para explorar o bairro.


A última vez que o Ser Humano colocou algo na Lua foi em 1976, não voltamos porque a empreitada é muita cara ou complicada demais para os cabeçinhas das estatais. Através desse projeto, Google e XPrize, vão reduzir os custos de exploração da Lua em 90% ou mais. Impensável pelo jeitão estatal de pensar e trabalhar. O prêmio é aberto a todos os seres humanos pensantes do planeta. VOCÊ pode participar. VOCÊ pode ganhar. Organize uma equipe de crânios de boa vontade e apresente o seu projeto. VOCÊ pode ajudar a humanidade a explorar o espaço independente da faculdade que estudou, ou partido político que defende. XPrize é uma fundação privada revolucionária. Eles estão investindo milhões de dólares para criar concursos mundiais onde desafiam o ser humano comum a pensar diferente para resolver os problemas de transporte, saúde, educação e energia que enfrentamos nesse início de século. É bacana assistir as beldades mundiais desfilando pela passarela durante o Miss Universo, mas é igualmente fantástico assistir ao desfile mundial de projetos revolucionários focados em descobrir a cura de alguma doença que mata milhões, ou encontrar alguma nova fonte de energia.


Não seria legal se o Antônio Ermírio, Abilio Diniz, Família Roberto Marinho, Jorge Paulo Lehmann, Sucupira e outros zilionários criassem um concurso que entregasse 10 milhões de reais para aquele que apresentar uma maneira executável de acabar com as favelas no Brasil em 2 anos? Impossível? Não quando você lança a idéia para 200 milhões de pessoas. Viva o Indivíduo, a Iniciativa Privada, a Livre Iniciativa, a Colaboração entre Pessoas de todo o planeta pelo bem da humanidade independente das amarras ridículas criadas por governos patéticos. O Ser Humano explora novas terras desde o dia que o primeiro ser humano colocou os pés na Terra.


A nossa eterna vontade de "evangelizar" os outros, nos levou a sair da África, encontrar a Ásia, a Europa, as Américas, e agora, o universo. Eu adoro olhar o marzão azul, às vezes verde, de Maresias ou Paraty. Eu adoro beber uma boa água gelada, ou fazer uma trilha no meio do matão verde da Mata Atlântica; entretanto, se não tivéssemos que beber água todos os dias, talvez desenvolvessemos a capacidade de voar; se todas as florestas virassem desertos, talvez desenvolvessemos a capacidade de respirar embaixo d'agua.


Quem sabe qual é o potencial do ser humano ou o destino da vida? Ninguém sabe. Mas eu sei que o universo nasceu do caos e da escuridão, o quê me ensina que não devemos viver uma vida baseada em segurança, nem nos prender aos recursos que temos. Nesse momento, na escuridão do universo, milhares de cometas estão colidindo com brilhantes e lindas estrelas, buracos negros estão engolindo planetas e galáxias inteiras.


Há 65 milhões de anos um meteoro com a potência de 67 milhões de bombas de Hiroshima arrasou os dinossauros; há 50 mil anos um meteoro abriu uma cratera de 1,5 quilômetros de diâmetro; em 1908 um meteoro com 50 metros de diâmetro e poder de uma bomba de Hiroshima se incinerou nos céus da Sibéria espalhando restos por mais de mil quilômetros quadrados; em 1972, um meteoro de 3 metros de diâmetro errou a Terra por 80 quilômetros; em 1989, um meteoro de 300 metros de diâmetro e equivalente a 167 mil bombas de Hiroshima, errou a Terra por 600 mil quilômetros; em 2002 foi a vez de um meteoro de 70 metros de diâmetro errar por 120 mil quilômeros; em 2029 um meteoro de 250 metros de diâmetro equivalente a 57 mil bombas de Hiroshima deve errar a Terra por 30 mil quilômetros; e em 2880, um meteoro de 1 quilômetro de diâmetro e poder de 4 milhões de bombas de Hiroshima, tem uma em 300 chances de colidir com a Terra.


Qual é o sentido de tudo isso? Quem sabe.


Enquanto isso, vamos explorar. Eu não sei você, mas eu vou começar a fazer um pé de meia para comprar o meu ticket na Virgin Galactic quando o preço cair para 20 mil dólares daqui há 20 anos. Em 2027, eu terei 57 anos, malhadão, cabeça de 15 e corpo de 30. O preço do ticket vai cair porque algum ser humano terá descoberto alguma nova fonte de energia vindo exatamente do céu, as coisas estarão um pouco mais esclarecidas porque justamente conheceremos melhor o céu sobre as nossas cabeças, e a moeda brasileira estará pau-a-pau com o dólar depois de decisões ousadas de futuros líderes políticos brasileiros que ainda não existem.


O céu tem todas as respostas? Com certeza! Vamos explorar. Viva o progresso, a evolução das espécies, Darwin, o Big Bang, os cometas que destroem planetas inteiros, o Caos do universo, doe a quem doer.