sexta-feira, 11 de maio de 2007

Um caminho para recuperar fiéis

André Lazzarini
Eu não entendo o porquê da preocupação que seguidores de outras religiões e seitas têm com os pensamentos e discursos do Santo Papa. Cada um que siga seu líder espiritual... embora seja desejo dos católicos que todas as pessoas percebam o verdadeiro caminho Cristão dentro do catolicismo. Aceitando que o Papa é o sucessor do Apóstolo Pedro e que a Igreja, assim como o Paraíso Divino é obra de Deus e não democracia e nem ditadura (invenção do homem), os católicos devem limitar-se a ouvir, debater, e enfim obedecer. Aos não católicos, cabe a sua livre decisão de qual caminho seguir, já que o livre-arbítrio foi dado aos homens desde a sua criação. Mas jamais dizer o que o Papa deve ou não fazer.

O Catolicismo não se cansa de, através do Papa, pedir ecumenicamente que a humanidade que se oriente pela mensagem de Jesus: viva o amor ao próximo, proteja a vida a todo instante e em qualquer situação, compreenda as pessoas, seja humilde, persiga incansavelmente o caminho da paz entre os povos. O Papa, sempre iluminado pelo Espírito Santo em suas falas, nunca profere palavras que não sejam de paz e compreensão. Infelizmente vemos o insano desejo de agredir o Papa – assim como foi feito com Jesus – o que é fato notório nas distorções de suas palavras e suas idéias pelas nas publicações mundo afora. Interpretações capciosas são dadas a todo o momento. Se alguém quiser ler na íntegra, sem contaminações, os dizeres do Papa, as suas homilias e seus discursos, sugiro que procurem fontes confiáveis, sempre ligadas ao Vaticano ou à alguma instituição Católica.

O homem, portador de liberdade plena, procura a todo instante justificar suas atitudes. É normal que, dentro desse modo de pensar, procure todos os caminhos que justifiquem seu modo de vida, suas ações da forma como bem lhe convier. Seguir os ensinamentos de Jesus, através da Igreja Católica deixada por Ele para nós, é algo deveras difícil (humanamente falando), pois necessita que o homem escolha, por sua livre e espontânea decisão, um caminho de fé, de amor, de paz, de simplicidade, e de humildade ao se dobrar perante nosso Deus, louvando-o e idolatrando-o. Esse caminho é difícil, pois o mundo atual é contaminado por impurezas que atentam contra o Cristianismo (não só o Catolicismo). E nem todas as pessoas estão dispostas a se sacrificar para ter uma vida Cristã reta e direita, e muito menos encarar um sacrifício infinitesimamente menor como Jesus se enfrentou. Ele acabou na cruz... alguém estaria disposto à esse fim também?

É mentira dizer que a Igreja Católica amedronta seus fiéis com idéias de demônios e de penosos castigos divinos. Deus não castiga. Deus é amor, Deus é perdão, Deus é pacificador: para viver Suas graças, basta que você se reconheça como pecador e seja humilde redimindo-se perante Ele. Amedrontador é dizer que tudo o que passamos nessa vida é um preço que pagamos por pecados cometidos em outras encarnações e que teremos que nos re-encarnar muitas vezes mais para podermos nos santificar. Deus que me livre desse sofrimento!

Eu diria que o caminho para recuperar fiéis passa antes pelo caminho de um auto-exame pessoal: as pessoas perceberem seu modo de vida, suas atitudes e seus pensamentos: se eles seriam ou não a vontade de Cristo para nós. Quando se derem conta disso, enxergarão claramente a verdade nos ensinamentos de Cristo que são o caminho próprio da Igreja Católica.



Publicado na Folha de Londrina - 11/05/2007 - página 02

sábado, 7 de abril de 2007

Homilia de Bento XVI na Quinta-Feira Santa - 05/04/2007

Caros irmãos e irmãs,


Na leitura do Livro do Êxodo, que há pouco escutamos, vem descrita a celebração da Páscoa de Israel, como era regulamentada na lei mosaica. Na origem poderia ser uma festa de primavera dos nômades. Para Israel, todavia, ela foi transformada em uma festa de comemoração, de ação de graças e, ao mesmo tempo, de esperança. No centro da ceia pascal, ordenada segundo determinadas regras litúrgicas, estava o cordeiro como símbolo da libertação da escravidão no Egito. Por isso o haggadah pascal era parte integrante da refeição à base de cordeiro: a lembrança narrativa do fato de que foi o próprio Deus quem libertou Israel «com a mão levantada». Ele, o Deus misterioso e oculto, revelou-se mais forte que o faraó com todo o poder que tinha à sua disposição. Israel não devia se esquecer que Deus tinha pessoalmente levado nas mãos a história de seu povo e que esta história era continuamente baseada na comunhão com Deus. Israel não devia esquecer-se de Deus.
A palavra da comemoração era circundada pela palavra de louvor e de ação de graças trazida pelos Salmos. O agradecer e bendizer a Deus tinha seu cume na berakha, que em grego é dita eulogia ou eucaristia : o bendizer a Deus se torna bênção para aquele que o bendiz. A oferta doada a Deus retorna abençoada ao homem. Tudo isso erguia uma ponte do passado ao presente e frente ao futuro: ainda não estava completa a libertação de Israel. A nação ainda sofria como pequeno povo no campo das tensões entre as grandes potências. O fato de lembrar com gratidão o agir de Deus no passado torna assim, ao mesmo tempo, súplica e esperança: leva a cumprimento o que foi iniciado! Dá-nos a liberdade definitiva!
Esta ceia com múltiplos significados foi celebrada por Jesus com os seus na tarde antes de sua Paixão. Como base, neste contexto devemos compreender a nova Páscoa, que Ele nos deu na Santa Eucaristia. Nos relatos dos evangelistas existe uma aparente contradição entre o Evangelho de João, por um lado, e o que, por outro, nos comunicam Mateus, Marcos e Lucas. Segundo João, Jesus morre sobre a cruz precisamente no momento no qual, no templo, eram imolados os cordeiros pascais. A sua morte e o sacrifício dos cordeiros coincidem. Isso significa, porém, que Ele morreu na Vigília da Páscoa e, portanto, não pôde pessoalmente celebrar a ceia pascal -- isso, ao menos, é o que parece. Segundo os três Evangelhos sinóticos, ao contrário, a Última Ceia de Jesus foi uma ceia pascal, em forma tradicional. Ele insere a novidade do dom de seu corpo e de seu sangue. Esta contradição até alguns anos atrás parecia insolúvel. A maioria dos exegetas era da opinião que João não quis comunicar-nos a verdadeira data histórica da morte de Jesus, mas preferiu uma data simbólica para tornar assim evidente a verdade mais profunda: Jesus é o novo e verdadeiro cordeiro que derramou seu sangue por todos nós.
A descoberta dos escritos de Qumran nos conduziu, entretanto, a uma possível solução convincente que, ainda que não seja aceita por todos, possui, todavia, um alto grau de probabilidade. Podemos agora dizer que o que João relatou é historicamente preciso. Jesus realmente derramou seu sangue na vigília da Páscoa, na hora da imolação dos cordeiros. Ele, porém, celebrou a Páscoa com seus discípulos provavelmente segundo o calendário de Qumran, pelo menos um dia antes --celebrou-a sem cordeiro, como a comunidade de Qumran, que não reconhecia o templo de Herodes e estava à espera de um novo templo. Jesus, portanto, celebrou a Páscoa sem cordeiro -- não, não sem cordeiro: no lugar do cordeiro deu-se a si mesmo, seu corpo e seu sangue. Assim, antecipou sua morte de modo coerente com sua palavra: «Ninguém me tira a vida, mas a ofereço por mim mesmo» (Jo 10, 18). No momento no qual apresentava aos discípulos seu corpo e seu sangue, Ele dava real cumprimento a esta afirmação. Ele mesmo ofereceu sua vida. Só assim a antiga Páscoa obtinha seu verdadeiro sentido.
São João Crisóstomo, em sua catequese eucarística, escreveu uma vez: O que está dizendo Moisés? O sangue de um cordeiro purifica o homem? Salva-o da morte? Como pode o sangue de um animal purificar o homem, salvar o homem, ter poder contra a morte? De fato -- continua Crisóstomo -- o cordeiro podia constituir só um gesto simbólico e, portanto, a expressão da espera e da esperança em Alguém que pode cumprir isso que o sacrifício de um animal não era capaz. Jesus celebrou a Páscoa sem cordeiro e sem templo e, todavia, não sem cordeiro e sem templo. Ele mesmo era o Cordeiro esperado, verdadeiro, como havia preanunciado João Batista no início do ministério público de Jesus: «Eis o cordeiro de Deus, eis aquele que tira o pecado do mundo!» (Jo 1, 29). E é Ele mesmo o verdadeiro templo, o templo vivente, no qual habita Deus e no qual nós podemos encontrar Deus e adorá-lo. Seu sangue, o amor Daquele que é ao mesmo tempo Filho de Deus e verdadeiro homem, um de nós, cujo sangue pode salvar. Seu amor, aquele amor no qual Ele se doa livremente por nós, é isso que nos salva. O gesto nostálgico, de qualquer modo privado de eficácia, que era a imolação do inocente e imaculado cordeiro, encontrou resposta naquele que por nós se tornou juntamente Cordeiro e Templo.
Assim, no centro da nova Páscoa de Jesus estava a cruz. Desta vinha o novo dom trazido por Ele. E assim, ela permanece sempre na Santa Eucaristia, na qual podemos celebrar com os Apóstolos, através dos tempos, a nova Páscoa. Da cruz de Cristo vem o dom. «Ninguém me tira a vida, mas eu a ofereço por mim mesmo». Agora Ele a oferece a nós. A haggadah pascal, a comemoração do agir salvífico de Deus, tornou-se memória da cruz e ressurreição de Cristo -- uma memória que não recorda simplesmente o passado, mas nos permite entrar na presença do amor de Cristo. E assim a berakha, a oração de bênção e ação de graças de Israel torna-se nossa celebração eucarística, na qual o Senhor abençoa os nossos dons -- pão e vinho -- para doar neles a si mesmo.
Peçamos ao Senhor que nos ajude a compreender sempre mais profundamente este mistério maravilhoso, a amá-lo sempre mais e nisso amar sempre mais Ele mesmo. Peçamos-lhe que nos ajude a não reter nossa vida para nós mesmos, mas a doá-la a Ele e assim atuar junto a Ele, a fim de que os homens encontrem a vida -- a vida verdadeira que pode vir só d'Aquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida. Amém.
[Traduzido por Zenit © Copyright 2007 - Libreria Editrice Vaticana]
ZP07040506







Só o sangue de Jesus podia salvar-nos, explica Papa na Quinta-Feira Santa

Surpreendente homilia na qual oferece novas hipóteses históricas sobre a Páscoa
Foi uma homilia surpreendente, na qual o Papa teólogo harmonizou momentos de meditação com as últimas investigações históricas realizadas sobre os manuscritos de Qumran, encontrados no Mar Morto em 1947, que ainda hoje são matéria de estudo e que oferecem novas hipóteses sobre a Páscoa.
Seu objetivo era mostrar a novidade introduzida pela Páscoa de Cristo na Páscoa judaica, na qual se imolava um cordeiro em recordação da libertação do povo escolhido da escravidão do Egito.
Com toda probabilidade, Jesus seguia o calendário que os essênios de Qumran observavam, seita rigorosa judaica em oposição ao poder sacerdotal de Jerusalém, que ainda em alguns aspectos continua sendo misteriosa para os historiadores, explicou o Santo Padre.
Segundo esta interpretação, «ainda não aceita por todos», como ele mesmo declarou, Jesus «celebrou a Páscoa com seus discípulos provavelmente segundo o calendário de Qumran, ou seja, ao menos um dia antes» da tradicional festa da Páscoa, «na hora da imolação dos cordeiros», como diz o evangelho de São João, algo que parecia contradizer a narração dos outros três evangelistas.
O cardeal Albert Vanhoye SJ, antigo reitor do Instituto Bíblico Pontifício de Roma, explicou que na época de Jesus, o calendário essênio era mais tradicional que o mais recente adotado pelos sacerdotes de Jerusalém, ainda que isso não significa que Jesus fazia parte dos essênios.
Isso implica, acrescentou Bento XVI, que Jesus celebrou a Páscoa «sem cordeiro, como a comunidade de Qumran, que não reconhecia o templo de Herodes e estava à espera do novo templo».
«Jesus celebrou a Páscoa sem cordeiro», ou melhor, declarou, «no lugar do cordeiro entregou a si mesmo, seu corpo e seu sangue».
O sangue dos cordeiros não pode salvar o homem, acrescentou o sucessor de Pedro. O sangue de Cristo, «o amor de quem é ao mesmo tempo Filho de Deus e verdadeiro homem, um de nós, esse sangue sim tem capacidade de salvar».
«Seu amor, esse amor no qual Ele se entrega livremente por nós, é o que nos salva».
Por este motivo, convidou os fiéis a pedirem o Cristo «que nos ajude a compreender cada vez mais profundamente este mistério maravilhoso e a amá-lo cada vez mais e, nele, a amar a Cristo cada vez mais».

«Peçamos-lhe que nos atraia com a santa comunhão cada vez mais para si mesmo», concluiu.
Bento XVI lavou, na missa na Ceia do Senhor, os pés de doze homens que representavam a associações de leigos da diocese de Roma nesta Quinta-Feira Santa.
Durante as oferendas, foi pedido a todos os presentes que fizessem um gesto de caridade pelo dispensário médico de Baidoa, na Somália, que em plena guerra atende aproximadamente 2.000 pacientes por mês.
ZP07040507

sexta-feira, 30 de março de 2007

Camelódromos, contrabandos, piratarias e afins

André Lazzarini
"Atire a primeira pedra aquele quenão for pecador".
É verdade. Todos somos pecadores... assim, todos temos alguma culpa no crescimento dessa praga. Seja uma culpona ou uma culpinha...
Antigamente, lembro-me bem, ouvia-se falar em alguém que tinha um "conhecido" que poderia trazer uma garrafa de whiskye escocês legítimo. Daonde vinha? Sabe lá Deus! Mas o tal cara trazia e cobrava algum a mais sobre o preço do produto. Não era um meio de vida, porque o crime de contrabando era um crime, punido severamente pela lei. As vezes, ouviamos falar que fulano "foi pego" e tava preso... ou tinha que gastar tudo que ganhou nos últimos anos com advogados nos processos judiciais que enfrentava. Era algo criminoso. Perigoso. Somente os corajosos enfrentavam...
Era?
Ainda é, meu caro. Ainda é... só que a prática cresceu... deixaram rolar, afinal, tinha tanta gente desempregada que seria "um pecado" prender esses jovens destemidos trabalhadores que iam ao Paraguay comprar bugigangas - as vezes, no meio, algo que não era tão bugiganga assim - e trazer para vender e ganhar algum prá se defender na vida. Afinal, o governo tutor não foi capaz de fazer sua parte, proporcionando emprego, saude e educação decentes... então, era cada um por si e Deus por todos...
Quem não se lembra dos VCR Panasonic G9... se não teve um, certamente conheceu algum vizinho que ostentava um junto a sua TV, na sala de estar de suas casa.
Assim, aos "olhos grossos" dos governantes, policiais e todos os envolvidos em reprimir o contrabando, essa praga cresceu. Hoje é um gigante incombatível.
Na febre das bugigangas, vieram os 1,99, famosos por todo o país. Tudo "Made in China", "importado" via Puerto Iguazu ou Ciudade del Este ou sabe-lá-Deus como! Transportado em sacolas gigantescas nos porta-malas de onibus fretados especialmente para grupos que iam fazer suas compras.
Hoje trazem de tudo. E aqui, construiram enormes shopping-centers, carinhosamente chamado de "camelódromos", não porque lá vão encontrar algum espécime desse exótico animal, mas porque lá encontraremos todos os tipos de mercadorias que quisermos, trazidos do exterior, misturados à produtos "made in back yard"... tudo sem nota, sem controle, se garantia legal - só com aquela famosa "la garantia soy jo". Tudo na cara da lei que nada mais pode fazer, pois ela, a lei, ficou pequena e impotente diante do tamanho gigante monstruoso que se criou.
Como que esse monstro se criou e ninguém viu?
Ninguém viu? Pare já com essa miopia...
Claro que todos nós vimos! Aliás, todos nós alimentamo-lo quando ele ainda era um bebezinho... afinal, era apenas um VCR G9, uma garrafa de "red label" ou um vinho "liebfraumilch garrafa azul" que alguém encomendava daquele colega que, trabalhava durante a semana, mas tinha esse hobbie de buscar encomendas de amigos. Quando esse hobbie começou a dar mais lucro do que seu emprego, o tal colega largou seu emprego legal e passou ao comércio ilegal. Olha o monstrinho que era um bebê começar a crescer e engordar.
É claro que muitos se perderam pelo caminho, indo para encomendas mais pesadas... mas isso é outro assunto... e, ainda que seja outro assunto, também foi feito vista grossa, por isso o crime cresceu junto.
Voltanto ao monstrinho... ele cresceu, engordou, e como não tinha alguém que desse educação sadia, ficou um adolescente mal-educado e hoje acha que tem o rei na barriga. Acha?
E agora?
Agora, vemos os comerciantes legalmente estabelecidos pagando pelo crescimento desse monstro que dominou todo o mercado. Esse monstro cresceu e continua crescendo, muito bem alimentado pela população que, empobrecida pela incompetência dos governantes, não conseguiu ter educação digna, emprego formal decente, e hoje faz seus bicos... e se identifica muito com o tal comerciante do camelódromo... aí, porque pagar mais por qualquer produto se lá, encontramos um similar pela metade (ou muito menos) do preço?
Qualidade? ah, isso não é tão importante assim...
Garantia? Lá, vale a palavra do vendedor - "la garantia soy jo"... e olha que vale mesmo...
Legalidade? hummm... isso é muito complicado... porque vou comprar algum produto que tem imposto embutido... prá alimentar o sistema corrupto? Ñão... tô fora... prefiro um preço menor do que qualquer outra vantagem...
E vai por aí afora:
Vai estragar meu CD/Dvd? Vai nada...
Vai durar pouco? Quem se importa... afinal, pelo preço que paguei, dá prá comprar um por mes...
Vai fazer mal prá saude? Será mesmo... óia que não sei não...
Mas... e aquele problema, da loja que vai fechar, da locadora que tá quebrando... ah, se somente eu fizer "certinho", não vai mudar nada mesmo... então, vamo-que-vamo!!!
É... o caminho para o céu é uma estrada estreita e íngreme... já o caminho pro inferno é uma ladeira larga aonde cabe todo mundo...
O mais importante é que CABE NO MEU ORÇAMENTO MENSAL, NO MEU SALÁRIO - afinal somos um pais de pobres e miseráveis.
Não era prá ser assim... não poderia ser assim... as pessoas de bem, educadas, patriotas (será que isso existe ainda) deveria lutar pelo seu pais, um pais melhor, mais honesto e justo... mas não é isso que se vê... é um verdadeiro "cada um por sí e Deus (nem sempre) por todos" literalmente!!!
Você compra em camelódromo?
Você compra produtos importados ilegalmente?
Você compra CDs/Dvds pirateados?
Você se importa com isso???

NEPOTISMO

André Lazzarini
Até quando vamos assistir essa perversão dominar os gabinetes públicos deste pais?
Até quanto teremos que SUSTENTAR esse bando de esposas, esposos, filhos, primos, tios, cunhados, noras, genros e amigos-do-peito, na maioria sem competência para as funções públicas que assumem, usar e abusar de poderes absorvidos de seus pares eleitos legitimamente???
Até quando vamos pagar essa conta?

terça-feira, 29 de agosto de 2006

A Vida Como Ela É

Vida Regrada.
Quando você se transforma em um líder, quando você vira pop star, quando a sua careca é estampada na propaganda de uma cerveja, a sua cabeça aprende a pensar SEGURANÇA, e não PROGRESSO. Entretanto, somente depois que você desafiar os seus preconceitos e paradigmas, você consegue ajudar alguém a fazer o mesmo.
Querida(o) Amiga(o),
Por que o gerente de marketing não leva a sério as idéias do gerente de vendas? Por que o gerente de produção nunca tem tempo para participar das reuniões semanais lideradas pelo gerente de logística? Por que o gerente de recursos humanos deleta quase automaticamente todos os e-mails enviados pelo gerente de vendas? Por que o gerente de produtos e serviços nunca participa de reuniões que incluam apenas profissionais do mesmo nível hierárquico que o seu ou inferior? Por que essa gente grande não se respeita? Porque essa gente grande só respeita ordem de chefe e não de colegas? Por que o chefe dessa turma precisa vestir o chapéu de Polícia da Empresa para colocar a turma na linha? Por que esse tipo de coisa AINDA acontece na empresa em que você trabalha apesar de todo o dinheiro gasto com ferramentas de motivação, campanhas de incentivo, mapeamento de competências e sistemas de informática e gestão? Por que colegas não respeitam as idéias uns dos outros e recusam a ser liderados por gente que nem a gente? Por que as pessoas, apesar de afirmar que vão fazer as coisas, não fazem; não se importam em atrasar, não se importam em avisar proativamente os colegas sobre o atraso, não se importam com o que os outros pensam do seu profissionalismo? O que é preciso fazer para terminar, varrer e eliminar da sua frente tanta palhaçada, complacência, desrespeito e falta de amor uns com os outros?
A primeira coisa a fazer é parar de liderar a sua equipe com o estilo Carlos Alberto Parreira de ser. Qual é o estilo Parreira de liderar talentos? "Liderança é deixar os seus liderados jogar a vontade para que possam transformar todo o potencial que possuem em resultados dentro do campo".
NEM A PAU!!! QUE VIAGEM!!! QUE MEDIOCRIDADE!!!!
Mesmo que o seu gerente de vendas tenha batido todas as metas de faturamento nos últimos seis meses e tenha um histórico de conquistas internacionais e relacionamentos com clientes, você não pode deixar o cara jogar sozinho. Mesmo que o seu gerente de marketing seja o cara mais criativo que você conheça, vencedor de prêmios em Cannes e professor de MBA, você não pode terceirizar a quota do mês para alguma jogada sensacional do marketeiro. Se você tem os melhores do mundo trabalhando para você, você precisa definir altos padrões de trabalho para todos eles. E quando eu digo alto padrão de trabalho, é alto mesmo. Não tô brincando. Os melhores do mundo não aceitam qualquer idéia, não compram qualquer liderança, não engolem qualquer ordem. Gente medíocre requer liderança. Gente Grande, Excelente, Fantástica, Sensacional, Madura, Adulta, Educada, Estudada e Vivida, MELHOR DO MUNDO, requer MUITO MAIS liderança. Se você investe 10 minutos do seu tempo com a turma problemática, você precisa investir 1 hora do seu tempo com a turma que é MELHOR DO MUNDO. Gente medíocre, com suas balas de chumbinho, não fazem grandes estragos. Deixe a turma solta. No máximo eles vão matar uns passarinhos aqui e outros ali. Gente Grande com seus canhões a laser, precisam ser direcionados para o mesmo lugar, senão, queimam toda a empresa, a todo momento, e por tabela, os matadores de passarinhos. Se 10 minutos com gente medíocre geram 10 resultados semi-medíocres. Uma hora com Gente Grande geram...???
O que eu estou dizendo é: VAMOS REGRAR A VIDA DOS MELHORES DO MUNDO!!!! Ou melhor, vamos deixá-los REGRAR suas próprias vidas. Como? Ligue agora para um hotel fazenda ou praia, 50 quilômetros distante do seu escritório, e peça por uma sala de reuniões que não tenha janelas, que não tenha telefone, que não tenha conexão com internet, que não tenha energia elétrica, que tenha bloqueador de celular. Diga ao hotel que você precisa da sala por um dia inteiro. Diga que você precisa de apenas uma mesa redonda dentro da sala, uma mesa grande o bastante para acomodar o número de gerentes de gente que você possui ao seu redor. Diga ao gerente do hotel que você vai reunir na sala os cavaleiros da távola redonda da sua empresa. Uma vez agendada, comunique a data da reunião aos seus cavaleiros. Diga que será terminantemente proibido o uso de celulares, notebooks e computadores de mão durante a reunião. Diga que sobre a mesa de reunião será permitida apenas folhas de papel, caneta e lápis. O dia inteiro, sem exceção, sem interrupção. Diga que o objetivo da reunião é definir o ESTATUTO DO ADULTO da sua empresa. Diga que todos terão a oportunidade de definir as REGRAS DE COMPORTAMENTO e as CONSEQUÊNCIAS para aqueles que infringirem a LEI. Diga que você acredita que a gerentada da empresa é FANTÁSTICA. Diga que você não espera nada menos do que o ESTADO-DA-ARTE em PADRÃO DE COMPORTAMENTO E HUMANIDADE para o ESTATUTO DO ADULTO (entenda-se: MANIFESTO DA LIDERANÇA). Vá para a reunião. Provoque a participação de todos. Cada gerente deve expor cinco comportamentos que devem estar presentes no MANIFESTO. Cada novo item proposto para essa nova CONSTITUIÇÃO deve ser debatido durante 10 minutos ou até alguém encontrar uma razão para incluir e uma razão para excluir. Uma vez definida a nova CONSTITUIÇÃO, ESTATUTO ou MANIFESTO da LIDERANÇA da sua empresa, leia atentamente. O ESTATUTO é da estatura do grupo? A nova CONSTITUIÇÃO exige FIBRA para se tornar realidade? O MANIFESTO vai fazer de todos melhores SERES HUMANOS? O grupo foi exigente o bastante uns com os outros? Mesmo que tenham sido, uma vez líder dos líderes, você precisa levantar a barra ainda mais.
Deixe-me dizer a você o que o ESTATUTO DO ADULTO deve cobrir: Quanto houver reuniões do grupo, a participação de todos é inegociável. Se você disser que vai fazer alguma coisa para algum membro do grupo, faça. Se você se comprometeu a fazer uma atividade, mas algum problema apareceu que irá impedir você de entregar o prometido, avise os colegas com antecedência. Seja receptivo a novas idéias. Não use velhas histórias sobre pessoas que tentaram fazer e não conseguiram. Não diga que não pode ser feito até que você tenha craniado construtivamente sobre a questão "Como nós podemos fazer essa idéia funcionar?". Não aponte culpados. Todo sucesso que tivermos é um sucesso do grupo e toda falha que tivermos é uma oportunidade para o grupo se corrigir, e aprender algo novo, e melhorar. Todas as discussões de idéias, disfunções, bateção de cabeça entre os membros do grupo devem permanecer dentro do grupo. Nunca fale mal de qualquer membro do grupo, ou discussões que aconteceram durante as reuniões para qualquer funcionário ou membro do grupo. Enquanto 100% dos participantes do grupo não aprovarem ou comprarem uma idéia discutida em grupo, a discussão não termina. O Consenso total entre os membros do grupo deve ser o objetivo de todas as discussões de idéias. Qualquer membro do grupo pode e deve interromper outro membro do grupo quando suas atitudes e comportamentos não estiverem de acordo com os princípios que guiam o grupo. Qualquer membro do grupo está encorajado a dizer "Nós não concordamos em fazer X? Por que estamos fazendo Y...?". Quando um membro do grupo violar um dos princípios determinados no estatuto, o cidadão deve pagar uma multa estipulada pelos membros do grupo. O grupo será intolerante com os membros que apresentarem os seguintes comportamentos: abuso do poder com outros membros do grupo ou funcionários, fofoqueiro, reclamão, chorão; fujão de responsabilidades, incapacidade de medir o trabalho que entrega, falta de espírito de trabalho em equipe, intimidação, fazer das suas as regras que todos devem seguir, praticar politicagem, abandonar uma discussão porque suas idéias não foram aceitas, falta de auto-motivação, auto-estima, amor próprio, falta de confiança nos colegas, respeito e integridade, falta de diplomacia, gentileza e profissionalismo. Todo membro do grupo deve manter-se focado em metas tangíveis e comprometer-se publicamente com resultados mensuráveis além de definir prazos finais para tomar decisões. Além disso, todos devem discutir abertamente a performance da empresa e sua própria performance versus metas, métricas e comportamentos. Confronte diretamente todos os membros do grupo sobre comportamentos e resultados. Todos devem encarar os problemas assim que surgirem, falar sempre a Verdade, e quando não souber qual é a Verdade, investigar, questionar, provocar opiniões diferentes entre os membros do grupo e entre os funcionários até que a Verdade apareça. Por fim, TODO MEMBRO do grupo deve fazer VISITAS FREQUENTES e CONSISTENTES aos Clientes que somados trazem 80% dos negócios da empresa.
A palhaçada ACABOU.
A energia vai ser concentrada.
A Vida vai ser Regrada.
Se você não quiser participar dessa seleção, vai jogar com o Parreira.