domingo, 15 de agosto de 2004

Assuma a vida que você tem como vocação.

"Os pequenos de coração precisam de pessoas que os tratem com carinho. Os grandes de coração precisam de pessoas para tratar com carinho." Autor Desconhecido.

Querida(o) Amiga(o),

Como tantas crianças desse mundo, eu cresci em meio a crença de um Deus que pune aqueles que fazem algo errado, "Não diga palavrão senão Deus castiga", "Não tire notas baixas na escola senão Deus não traz presentes no Natal", "Não deixe de rezar a noite senão Deus não vai te ajudar pela manhã". Não faça isso, não faça aquilo, senão Deus castiga, senão Deus pune. Esse é um medo que eu nunca tive. Eu não consigo imaginar que possa existir um Deus que pune aqueles que fazem coisas erradas. Eu não consigo imaginar que possa existir um Deus egocêntrico que precise que as suas criaturas o reverenciem, massageiem o seu ego e reconheçam o seu trabalho através de prêmios e templos.

Eu simplesmente não consigo imaginar alguma coisa assim porque eu não sou assim. Se eu não sou assim, quem me criou, seja quem for, se somos um só, como eu acredito, não pode ser assim. E não é. O mar não pede nada em retorno quando surfistas pulam dentro da sua água, pelo contrário, ondas gigantes são criadas para que esses seres humanos consigam brincar com ele.

A macieira não pede nada em retorno quando eu roubo uma maçã da sua árvore, pelo contrário, novas maçãs crescem para alimentar mais pessoas. O Sol não pede nada em retorno quando usamos a sua força para alimentar a energia das coisas, pelo contrário, lá estará ele amanhã de novo, no mesmo horário, com o mesmo calor. A natureza das coisas é fazer tudo sem pedir nada em troca. Continuar desconhecida. Não levar a fama.

Assumir a vida que você tem como vocação. Ter nome próprio a vida inteira. Não se esconder atrás de sobrenomes, títulos e cargos de empresas. Fazer algo hoje que possa melhorar a vida de outros amanhã. Fazer. Simplesmente Fazer. Descobrir sua missão enquanto faz. Não se preocupar com o fato de não ter descoberto, porque descobrir você já descobriu, apenas não desenvolveu a habilidade para colocá-la no papel. Fazer. Com todo o coração.

O tempo em que vivemos, de tecnologia e velocidade, de anos que levam meses, meses que levam dias, dias que levam horas, e horas que levam segundos, não é ruim, de jeito nenhum, o amor humano pela vida é tão grande, que nos levou a valorizar O Dia como se fosse sempre o último dia, porque no final do dia, hoje sempre é o último dia. Você não pode amar o seu trabalho se você não amar a sua vida. Cada dia dela. Dentro e fora da sua casa. Você nunca será um grande líder empresarial se você não for uma grande mãe, um grande pai, ou um grande filho.

De Vendedor você nunca será nada, se você não estiver presente junto aqueles que já compraram o que você é; de Financeiro você nunca será nada, se você não for organizado o suficiente em casa - aprenda a viver no lucro com R$ 500,00 antes de pedir por R$ 5.000,00 -; de Marketeiro você nunca será nada, se não ajudar uma criança a ser alguém um dia. Enquanto as empresas pedem para você deixar os problemas de casa em casa, e levar os problemas da empresa para casa, faça o contrário, leve o amor da sua casa para a empresa, e plante o amor à empresa na empresa.

Assuma a vida que você tem como vocação. Nada menos que isso interessa.

quinta-feira, 12 de agosto de 2004

Leiam essa!

Recebi, via e-mail, de um amigo de Santa Catarina. É para ler e pensar:

VAMOS ABRAÇAR ESTA BANDEIRA?

ESTÁ EM ANDAMENTO UMA REBELIÃO SEM VOLTA
(Gilberto Dimenstein, Folha SP, 25/07/04)

Começou a percorrer o país, na semana passada, uma notável lição de cidadania. É uma exposição, em praça pública, de uma série de produtos, na qual uma só idéia está à venda: a de que o consumidor não sabe quanto deixa para o governo ao comprar qualquer coisa - de um automóvel a um chiclete.
Ao analisar as placas com porcentagens grudadas em cada produto, o visitante da exposição saberá, por exemplo, que, ao adquirir um carro de mil cilindradas, terá deixado 44% para o poder público. Cada vez que enche o tanque com gasolina, são mais 53% em impostos.
Os organizadores dessa experiência, exibida no centro de São Paulo, apostam no seguinte: quando o consumidor, de fato, souber quanto o governo lhe tira diariamente, haverá mais pressão para que melhore o desempenho da administração pública.
Essa exposição é um detalhe pedagógico de um crescente movimento no país. "Está em gestação uma rebelião", afirma Gilberto Luiz do Amaral, advogado especialista em impostos, presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário.
A semana passada deu sinais de que há algo novo nascendo no país: uma inconformidade crescente, que envolve líderes empresariais, dirigentes de trabalhadores e classe média, todos contra a carga de impostos.
Sindicalistas foram a Brasília para pedir ao governo que baixasse impostos e, assim, ajudasse os empresários a criar mais empregos - assim seria possível, segundo eles, viabilizar o pedido de redução da jornada de trabalho sem diminuição dos rendimentos dos empregados.
Embute-se aí a percepção dos trabalhadores de que mais impostos significam , menos empregos, o que vai muito além de reivindicações corporativas.
Diante da gritaria geral, o presidente Lula, na terça-feira, cedeu às pressões e voltou atrás: não vai mais aumentar a contribuição previdenciária.
Na sexta-feira, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, anunciou um pacote que, supostamente, diminuirá em R$ 2,5 bilhões a carga tributária.
Talvez sirva para aliviar o crescente desconforto da opinião pública em relação à voracidade fiscal da gestão Lula.
Prepare-se: é apenas o começo. A experiência do Feirão dos Impostos é apenas um ínfimo detalhe pedagógico no panorama de uma rebelião que, silenciosamente, sem manifesto nem porta-voz, vem sendo feita pelas centenas de milhares de pessoas que optam pela informalidade, ou seja, pela clandestinidade.
Uma coisa é os jornais informarem que, em 1988, a carga tributária representava 22% do PIB e agora representa 40% - o que é algo incompreensível para o cidadão comum. Outra é saber que isso custa, por ano, cerca de R$ 212 bilhões. E mais: saber que cada brasileiro trabalha quatro meses e 18 dias só para manter os governos. Mais ainda: saber que a carga de impostos dificulta a geração de empregos e, conseqüentemente, inibe os aumentos salariais.
Trabalha-se cada vez mais para manter os governos. E cada vez mais para comprar os serviços privados que, em tese, deveriam ser públicos. Está nisso a essência da rebelião.
Não está faltando muito para o indivíduo, ao comprar uma barra de chocolate, saber quanto está deixando para o poder público. E, ao sair do supermercado, irritar-se ainda mais ao ver o buraco da rua ou a criança abandonada pedindo dinheiro no semáforo.
Se cada cidadão soubesse que, por ano, dá quatro meses e 18 dias em impostos e ainda recebe tão pouco de volta - e não se esquecesse dessa conta -, seria natural que a pressão pela eficiência pública fosse ainda maior. E a capacidade dos governantes de tentar tirar mais dinheiro, menor.
Para desespero dos poderosos, o que está em jogo é simples. É justamente o que se vê na experiência da exposição, em praça pública, de produtos, digamos, pedagógicos. À medida que a democracia se aprofunda, o cidadão vai conhecendo mais seus direitos.
Não dá para o governante confiar por muito tempo mais na ignorância de quem, além de trabalhar tanto e cada mais vez para sustentá-lo, ainda recebe pouco.
Está em construção uma nova agenda brasileira, na qual o desempenho do governante será medido pela eficiência administrativa combinada com o respeito ao contribuinte. Ou seja, gastar melhor com menos dinheiro.

PS - Uma medida simples e barata ampliaria enormemente o efeito pedagógico daquela exposição. Cada produto vendido deveria levar o valor dos impostos na embalagem e na nota fiscal. Seria uma implacável lição diária, a começar das crianças que comprassem um sorvete. Se dependesse de mim, eu daria a essa informação a mesma visibilidade das chamadas para os produtos perigosos para a saúde como as advertências sobre os perigos do tabagismo nos maços do cigarro.
Desculpe-me pela obviedade, mas o cidadão tem o direito de saber, em detalhes, quanto de seu dinheiro (e de que maneira) é usado. É a forma de os governantes não fazerem à saúde do contribuinte o mal que o fumo faz aos pulmões dos indivíduos.

Sem comentários... é para refletir!!!

domingo, 8 de agosto de 2004

Apareça! Você está muito escondido.

"A paz não será conquistada por aqueles que protegem as suas diferenças com fervor, mas por aqueles que possuem a mente e coração abertos para buscar relacionamentos. A paz não surge da falta de conflitos, mas da vontade de conviver com eles." Autor Desconhecido.

Querida(o) Amiga(o),

Toda vez que eu entro em uma empresa, eu olho ao meu redor e me pergunto, O que eu estou fazendo aqui? Eles já tem tantas coisas boas. Eles já tem escritórios, funcionários, produtos, serviços e soluções. Eles já tem, algumas vezes, fábricas, sistemas, clientes, fornecedores e campanhas de marketing. Eles já tem teto, piso, paredes e telefone. Eles já tem experiência e história. Eles já sabem coisas que eu nunca vou saber. Eles já fazem coisas que eu nunca vou fazer. Eles têm o que qualquer um quer ter um dia. Uma Empresa. Quem sou eu para dizer a alguém que construiu algo tão maravilhoso como sua própria empresa, o que deve ser feito? Toda vez que eu entro em uma empresa, as pessoas pedem para eu contar a história dos outros. Na área de Vendas, os vendedores querem saber como Samuel Klein construiu a Casas Bahia. No departamento de Marketing, os marketeiros querem saber como o Comandante Rolim construiu a TAM. Na divisão de Operações, os controladores querem entender como Sam Walton construiu a Wal-Mart. No andar de Finanças, a turma do dinheiro quer decifrar como Amador Aguiar construiu o Bradesco. Na sala de Tecnologia, os técnicos querem saber como Thomas Watson construiu a IBM. Quanto tempo perdido... Se você quer ouvir uma boa história, leia um livro de Fernando Morais ou assista a um filme de Steven Spielberg. Se você quer dar uma boas risadas, leia um livro de Luis Fernando Veríssimo ou assista a um filme de Woody Allen. Além de aprender uma boa história você também vai se divertir. Mas não me venha dizer que a história do Samuel Klein é mais fantástica que a história da sua empresa. Que baixa auto-estima... Já existem vários Comandantes Rolins e Sam Waltons escondidos atrás dos computadores, telefones e relatórios de qualquer empresa, fazendo e acontecendo todos os dias, sem ter as suas histórias contadas pelos quatro cantos da empresa. Mas infelizmente, estamos muito ocupados prestando atenção a vida do vizinho para valorizar tudo que temos. E tudo que fizemos até hoje. Eu não conto histórias dos outros. Eu quero ouvir a sua história. Apareça! Você está muito escondido. Na próxima Reunião Anual da sua empresa, não contrate um contador de histórias ou um ator de piadas, peça para aqueles que escrevem diariamente a história da sua empresa, para falar em público sobre as histórias heróicas que todos vocês vivenciaram juntos ao longo dos últimos meses. O Melhor já está conosco. Preste atenção a ele. Toda vez que eu entro em uma empresa, as pessoas me perguntam, "Como anda o mercado?", "O que os outros estão fazendo?", eu respondo, "Eu não sei por onde anda o mercado e não quero saber. Eu não sei o que os outros estão fazendo e não quero saber. Eu só sei que o nosso Brasil possue quase 200 milhões de cidadãos muito mal servidos e muito mal cuidados em todo tipo de terra e cidade que existe por ai. A questão aqui é apenas uma, Quantos e Quais brasileiros você está realmente afim de ajudar?". Toda vez que eu entro em uma empresa, eu sei que eu vou aprender muito com os heróis e fazedores de história que toda empresa possui. Mas eu sei, que só é possível aprender com os outros, quando somos humildes o bastante para ficarmos calados, e deixar os outros aparecerem. São essas, as histórias internas da sua empresa, que podem ajudar você a crescer e prosperar. É o que está dentro da empresa, perdido, esquecido, que pode realmente melhorar as coisas. E não o que está fora. Nós vivemos em uma era de mudanças. Sem dúvida nenhuma tudo vai mudar. Tudo vai evoluir. Os avanços da humanidade vão afetar a todos nós. Mas o grande erro que todos nós cometemos nessa era de mudanças, é falar exageradamente sobre as coisas que devem ser mudadas, quando deveríamos falar sobre as coisas que não devem ser mudadas. Sobre os Princípios que continuaram inabaláveis estejamos no epicentro de um terremoto ou no topo do mundo. Tudo muda. E quanto muda, nós precisamos contar aos outros tudo o que sabemos para que possamos prosperar sem deixar de valorizar o que fomos, o que somos, o que seremos. O que me resta fazer quando eu entro em uma empresa? Aplaudir. Aplaudir aqueles que Fazem a História e tem coragem de contar aos outros tudo que sabe. Toda vez que eu entro em uma empresa, as pessoas me perguntam quem é o "Autor Desconhecido" das minhas frases. Eu respondo, "O Autor Desconhecido é Você. O mundo será completo quando cada um de nós perceber que se eu escrevo é porque alguém me disse. Se você faz é porque alguém ensinou. Se alguém cresce é porque alguém empurrou. Todos nós devemos eterna gratidão e retribuição a todos nós. Não somos dignos de dizer que fizemos algo sozinhos." A sua história precisa ser contada. Eu quero ouvir. Apareça! Você está muito escondido. Nada menos que isso interessa

sexta-feira, 2 de julho de 2004

O "jeitinho" brasileiro

O "jeitinho brasileiro", como foi dito numa reportagem na TV, nada mais é do que uma quebra de normas (leis) em benefício próprio; assim como a atitude de políticos quando barganham seus votos para atenderem "interesses" em troca de "favores". Será que é corrupção? Se questionados sobre as atitudes dos políticos, a maioria esmagadora dos brasileiros vai crucificá-los; ao mesmo tempo, se questionados se algum dia fizeram de uso do tal "jeitinho" para seu próprio benefício, certamente vão responder que sim. E agora, José? Culpa-se os políticos, mas quando nós somos os culpados, pode?
Em Porto Alegre, comerciantes legalmente estabelecidos, aqueles que pagam seus tributos e contratam seus funcionarios legalmente seguindo a "cartilha legal" ainda que com toda dificuldade, fizeram uma manifestação contra o comércio dos ambulantes - os camelôs que se espalham por todas as vias públicas, calçadas e ruas daquela capital. Eles pedem o fim deste comércio, ou no mínimo sua legalização pois alegam que estes não pagam impostos, não cumprem a "cartilha", e pior, suspeita-se que vendam produtos falsificados, fazendo concorrência desleal com os produtos originais. Demorou, mas finalmente alguém começou a gritar contra essa barbaridade que é a venda de produtos falsificados e o comércio informal.
O que acontece no Brasil é que o país é vítima de sua cultura, e colhe hoje os frutos dessa mesma cultura. A cultura do "jeitinho"! O povo brasileiro sempre quer levar vantagem em tudo. A culpa não é somente do Gerson. Apesar de levar a culpa, ele foi também vítima de algum publicitário que quis se aproveitar dessa cultura para incentivar esse costume egoísta e mal educado. E agora não há remédio que reverta essa situação. Ou há?
Se você acha que errada a atitude dos políticos eleitos que fazem festa com nosso dinheiro; se você acha errado a corrupção presente no país; se você acha errado atitudes como a de Waldomiros e Ferreirinhas; você tem que fazer a sua parte. Como? Partindo de atitudes simples mas eficazes: a educação dentro de casa, e atitudes corretas e concretas. Obedeça as leis e decisões do seu condomínio, mesmo que dê mais trabalho para você. Não compre um CD/DVD falsificado, mesmo que seja mais barato - esse barato acabará por sair mais caro. Se na rua há uma placa de 50km/h, ande na velocidade estabelecida, mesmo que isso lhe custe alguns segundos a mais na chegada ao seu destino. Se você foi pego numa infração, não dê um "jeitinho": pague a multa, mesmo que ela seja cara - afinal, aceite o fato que você errou. Dando um "jeitinho", você está estimulando atitudes negativas e erradas.
O país não vai mudar esse mal costume com decretos ou grandes atitudes governamentais: esses costumes só serão mudados no momento que eu e você quisermos e tivermos atitudes concretas para tal mudança. Comece a mudar nosso país hoje mesmo: ensine seu filho a respeitar as leis dando-lhe o exemplo e explicando-lhe para ele porque as leis devem ser respeitadas. Não diga para ele colocar o cinto de segurança "se não o guarda vê": diga para ele colocar o cinto porque é para a segurança dele mesmo. Exija a nota fiscal em todas as suas compras: não para o comerciante pagar mais imposto, mas porque a nota fiscal é sua garantia de cidadania. Seja honesto e correto com seus funcionários, pagando-lhes o que lhes é direito e agindo conforme a lei.
Assim, tendo atitudes concretas em nosso dia-a-dia, criaremos o hábito de ser corretos, e quem sabe, mudaremos a cultura do "jeitinho" para a cultura do "certinho". No Brasil, fala-se tanto do respeito aos cidadãos em países do "primeiro mundo", mas esses povos respeitam suas leis todos os dias, partindo de pequenas atitudes de não jogar um papel de bala no chão nem um cigarro pela janela!!!

Novamente sobre as cotas III

Respeito a opinião e posso até concordar com alguns dos argumentos que a reitora da UEL - Lygia Pupatto - comenta em sua carta na edição de 22/06 da Folha de Londrina. O que faltou falar e discutir é a realidade dos fatos: de que adianta criar cotas, favorecendo uma classe (seja ela qual for), e não ir direto à questão: a falência do Ensino Público. Os alunos das escolas públicas não são menos inteligentes que os alunos das escolas particulares. A diferença esta na qualidade da formação que cada um recebeu. Se assim não fosse, o sucesso das escolas públicas seria muito maior que o das particulares, já que as públicas são em maior número e abrigam um número muito superior de alunos. Criar cotas para alunos oriúndos de escolas públicas é humilhá-los, dizendo às claras que eles são menos competentes (intelectualmente falando) do que aqueles oriúndos das escolas particulares, por isso precisam de um "empurrãozinho". Se a energia gasta nessa discussão fosse direcionada para discutirmos e proporcionarmos uma escola pública de melhor qualidade (como era há 40 anos atrás), o resultado seria muito mais promissor para o futuro do país. E porque prefere-se a opção das cotas ao invés de se discurtimos profundamente a melhora no ensino público? Porque reformar a escola pública é um trabalho "homérico", com resultados demorados e efeitos a longo prazo, embora muito mais eficientes. E o brasileiro é imediatista: quer resultados agora, custe o que custar. Investir no futuro é demorado e difícil e não rende dividendos políticos! Pior do que cotas para alunos oriúndos do Ensino Público são as cotas para os negros, o que caracteriza uma dupla discriminação: discriminar tal indivíduo por vir de uma escola pública, por isso deve ser favorecido e discriminá-lo novamente pela cor da sua pele, por isso também tem direito a mais um empurrãozinho!!! E agrava mais utilizar-se de argumentos históricos para justificar essa atitude discriminatória! Além disso tudo, teríamos que analisar outra questão de suma importância: discute-se o acesso a Universidade, fazendo com que esse seja o único caminho para se conseguir uma carreira e um emprego! Engana-se quem pensa assim. E o país deveria ver essa questão com olhos técnicos e não políticos. O país precisa muito mais de um técnico bem formado do que um doutor mal informado!!! E se as cotas forem impostas aqui na UEL, restará ainda uma questão a ser debatida: Como farão para definir quem é negro e terá direito às cotas? Submeterão tais candidatos a humilhação de serem fechados numa sala para serem fotografados, um a um, e suas fotos serem analisadas por uma comissão de "entendidos", como foi feito na UnB?
(Carta publicada na Folha de Londrina - 23/06/2004)